Tribuna do Leitor

Febem


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É impressionante verificar o quanto se insiste em alguns erros... ainda que custem tantas vidas e tanta verba pública.

A Febem e o governo do Estado de São Paulo foram condenados em 1999 pelo Tribunal Permanente dos Povos, devido ao descumprimento de várias leis e pelas torturas e mortes.

Várias outras denúncias já foram apresentadas com a devida documentação. Já são incontáveis os adolescentes torturados e mortos cumprindo medida de internação, ou seja, sob a guarda do Estado. Há notícias de que centenas de funcionários estão afastados para tratar de doenças e sofrimento mental, decorrentes das condições de trabalho. Será que esta situação já não demonstrou que não adianta mudar de pasta, mas que é necessário extinguir o modelo de atedimento da Febem, que está falido há décadas? Várias propostas realmente sócio-educativas, com potencial para interromper o ciclo vivido pelo adolescente que cometeu ato infracional, foram apresentadas ao poder público, mas é o modelo vigente que persiste. Recentemente, a partir de um manifesto da Anistia Internacional, mais de 250 cartas internacionais foram enviadas ao governador, com cópia a secretário e ao presidente da Febem, repudiando as mortes e violações. A população de rua que está sendo exterminada não difere dos adolescentes exterminados na Febem: são todos os apartados das riquezas sociais, exterminados, de várias maneiras, pela barbárie, impunidade e indiferença.

Aurea Satomi Fuziwara - assistente social, coordenadora do Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente

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