Um sistema de empréstimo por meio do penhor de jóias, com juros mais baixos, está sendo disponibilizado pela Caixa Econômica Federal (CEF) desde ontem. A novidade é destinada a pessoas de baixa renda, que não tenham saldo em conta corrente ou aplicação financeira acima de R$ 1 mil em qualquer banco.
A nova linha de crédito, batizada de Micropenhor, oferece empréstimos de até R$ 600,00, com juros de 2% ao mês e prazo máximo de resgate de 120 dias, em múltiplos de 30 dias. A consulta do saldo médio será feita em sistema interno, de forma online, e o cliente deverá assinar declaração que não possui saldo médio acima do estipulado para ter direito a concluir a negociação.
Já o penhor tradicional da CEF possui taxas de 2,53% ao mês para empréstimos de até R$ 300,00 e 3,22% para valores até R$ 15 mil. Os prazos de contratação são de 30, 60 ou 90 dias, com limite mínimo de empréstimo de R$ 50,00.
No primeiro semestre de 2004, a Caixa realizou 4,8 milhões operações de empréstimos sob penhor, envolvendo um montante de R$ 2,1 bilhões. Somente no mês de julho foram feitos 837 mil empréstimos, no valor total de R$ 369 milhões.
Segundo Selma Peres Rubira, gerente geral de uma das unidades da CEF em Bauru, a expectativa é de que o Micropenhor “aqueça” as operações do gênero. “Com esse lançamento, a Caixa busca viabilizar a utilização de recursos próprios, oriundos de depósitos à vista, de forma a promover o acesso ao crédito a clientes e não-clientes com baixa renda. Assim, a expectativa, gerada pelos juros menores e pela possibilidade de maiores facilidades de pagamento, é de que a opção pelo penhor cresça”, considera.
Prova disso é que, ontem, a procura pela nova linha de crédito já atraiu diversos interessados. A autônoma Maria Tereza Cardoso foi um deles, que é usuária do penhor há cerca de dez anos. “Gostei desta nova modalidade porque posso fazer o resgate em 60 dias renováveis por igual período. Além disso, é uma maneira mais prática e fácil de obter dinheiro do que os empréstimos”, considera.
Para fazer o penhor, a CEF não exige avalista ou cadastro, pois a jóia torna-se a garantia do crédito. Basta levar a peça, documentos pessoais (carteira de identidade, CPF e um comprovante de residência, todos originais) e fazer a avaliação.