Da varanda do meu apartamento observo, há meses, o trabalho de um jovem, na Praça Salim Hadad, na Vila Universitária.
Uma tarde, fui até lá e conversei com o jovem que se intitula “poeta Habib” e fiquei sabendo que ele tem um projeto que apresentou ao secretário do Meio Ambiente, para a recuperação da praça e construção de uma biblioteca pública: projeto ousado de um jovem sonhador. A praça há muito estava abandonada, suja, grama quase sempre coberta pelo mato, esquecida...
O poeta começou imediatamente a trabalhar, sem escolher serviço; varreu, recolheu muito lixo e muito cocô de cachorro, tirou muito mato, cortou a grama.
Hoje já podemos notar a praça bem diferente; ela tem vida com as crianças brincando, jogando bola, brincando nos balanços, jogando damas em uma mesa, que tem quatro banquetas, que o poeta mesmo fixou; mães já trazem seus bebês para tomarem sol e os idosos já podem se sentar nos bancos, recuperados, apreciando os pássaros que comem a quirera que “um anjo” jogou na grama. A praça tem também tambores improvisados para o lixo, já que lixeiras apropriadas nunca aqui chegaram. A praça está perfeita? não! Mas, onde estamos, nós moradores, que não nos juntamos a esse “jovem sonhador” e o ajudamos a realizar a recuperação do local? Procuremos o poeta, na praça; todas as manhãs, da varanda do meu apartamento, eu olho e vejo um jovem recolhendo o lixo desse local, molhando as plantas, roçando a grama, preparando esse espaço para que sejamos mais felizes: é o “poeta Habib” fazendo o seu papel de cidadão.
Laiz Franco Barbosa - RG 3.038.096