Bairros

Imóveis fechados são alvo de furto

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Os imóveis desocupados e disponíveis para comercialização estão sendo alvo de furtos em diversos bairros de Bauru. Os ladrões retiram a fiação, além de objetos e materiais de construção existentes nesses locais. Desde fevereiro até o início de agosto, mais de 80 casos foram registrados em 10% das imobiliárias da cidade, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Sindicato da Habitação (Secovi) Regional.

Atualmente, há cerca de 2 mil imóveis destinados à venda e locação, distribuídos em 150 imobiliárias da cidade, aponta o diretor do Secovi, Fernando César Pegorin. Os furtos ocorrem preferencialmente em residências ou imóveis comerciais térreos. “Existem imóveis que foram detonados. Os ladrões roubam a fiação, na maioria das vezes eles vendem o cobre. Mas também roubam vaso sanitário, lavatório, caixa d’água, o que tiver no local”, denuncia Pegorin, que também é proprietário de uma imobiliária em Bauru.

“Já aconteceu dos corretores chegarem para mostrar um imóvel e encontrá-lo totalmente sem fiação”, reclama Pegorin. Um dos casos mais recentes citados por ele ocorreu há duas semanas, em dois galpões localizados na Vila Monlevade, que já haviam sido furtados há cinco meses.

“Os ladrões entraram e roubaram tudo. Nós refizemos a parte elétrica e solicitamos à Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) que fosse efetuar a ligação e quando os eletricistas chegaram, os ladrões já tinham roubado novamente”, conta Pegorin. “Teve outro imóvel na quadra 10 da rua Elias Miguel Maluf, que já foi roubado cinco vezes”, acrescenta.

Os furtos também foram registrados por proprietários de outras imobiliárias da cidade. Uma delas acumula quatro casos este ano, sendo que o mais recente aconteceu há um mês, no Jardim Cruzeiro do Sul. “O roubo aconteceu em um imóvel geminado. O ladrão levou a fiação da casa que estava vaga e da casa habitada”, conta a proprietária da empresa, Elizabete Gasparini Guedes.

No mesmo período, mais um caso foi registrado por outra imobiliária local. “O furto ocorreu em uma casa da Vila Industrial. Os ladrões levaram toda a fiação”, diz a advogada da empresa, Ana Marta Leme.

“Estamos sabendo de vários casos na cidade. Os furtos estão se intensificando e isso está nos assustando. Se os órgãos competentes não tomarem uma decisão séria em relação aos receptadores dos materiais roubados, as ocorrências vão continuar”, cobra Elizabete.

Medidas de segurança

Visando discutir e solucionar a problemática dos furtos a imóveis desocupados, o Secovi, Polícias Civil e Militar, Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci) e donos de imobiliárias estiveram reunidos no último dia 20 de agosto, na sede do sindicato. Para intensificar a fiscalização e repreensão aos furtos, o Secovi está preparando um relatório que reunirá os locais de maior incidência de furtos.

Enquanto isso, como medida preventiva, a PM está reforçando a fiscalização na áreas próximas aos imóveis desocupados. “Estamos aumentando o patrulhamento em casas que têm a placas de aluga-se”, diz o capitão Nelson Garcia Filho.

Ele observa que os furtos, registrados em quase todas as regiões da cidade, são motivados pela ação dos receptadores de fios de cobre e produtos usados em construção. “Está interessante para os ladrões roubarem esses materiais”, aponta.

Para evitar furtos, a polícia recomenda maiores cuidados dos proprietários de imóveis. “É ideal que o proprietário ou as imobiliárias acompanhem a pessoa que está indo visitar o imóvel. A pessoa que tem uma construção, é bom que ela feche-a bem e tenha um guarda, por exemplo. São medidas de segurança para resguardar o seu património”, detalha o delegado do 3.º Distrito Policial, Marcelo Haddad.

Segundo Pegorin, as imobiliárias estão realizando um trabalho de conscientização com os proprietários para que eles utilizem ações de segurança em seus imóveis. Entre eles, a instalação de sistemas de alarmes ou cercas elétricas. Haddad reforça ainda que é fundamental que as pessoas que tiverem seus imóveis furtados, registrem o caso em um Boletim de Ocorrências.

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