Economia & Negócios

Ainda sem acordo, bancários mantêm indicativo de greve

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A campanha salarial dos bancários, iniciada no mês passado, continua sem avanços. Depois do adiamento, anteontem, de mais uma rodada de negociações entre a categoria e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), ficando a rodada para o próximo dia 8, o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região afirma que o indicativo de greve a partir do próximo dia 21 continua mantido.

A categoria reivindica 25% de reposição salarial, enquanto a Fenaban acenou somente com 6% até o momento. A pauta de reivindicações foi entregue ainda em junho, segundo informa o diretor do sindicato Roberto Machini. Na próxima quinta-feira, a categoria prevê uma série de manifestações em todo o País referentes ao Dia Nacional de Luta dos bancários.

Os trabalhadores insistem que os bancos apresentem uma proposta com aumento real de salários, elevação dos pisos, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), contratação de mais funcionários para diminuir as filas nos bancos, entre outras solicitações.

“Os representantes dos banqueiros prometeram levar uma proposta para a negociação marcada para o próximo dia 8. Mas se não houver avanço, vamos deflagrar greve a partir do dia 21. Os lucros dos bancos têm sido altíssimos, batendo recordes e mais recordes. Não há justificativa para não conseguir nem ao menos repor as perdas salariais acumuladas desde 1994”, observa Machini. Segundo ele, neste levantamento das perdas não estão incluídos o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal (CEF). “No BB as perdas foram de 80%, e na CEF, de 100%, porque os salários nesses bancos foram praticamente congelados durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.”

Na avaliação de Machini, neste ano a categoria está muito mais mobilizada e unida na busca das reivindicações. Desde o início da campanha, diversas paralisações pontuais em agências de bancos públicos e privados já foram realizadas.

Em Bauru, a principal ocorreu no dia 25 de agosto, quando várias agências localizadas no Centro da cidade (todas as unidades da rua 1.º de Agosto, Ezequiel Ramos, Virgílio Malta e Praça Rui Barbosa) abriram somente após o meio-dia. Nesta data, as agências localizadas na Avenida Paulista, em São Paulo, ficaram fechadas o dia todo.

No dia 26 foi a vez das agências localizadas na Praça Portugal e Jardim Estoril. No dia 27 de agosto, a mobilização da categoria fez com que todas as agências bancárias da avenida Duque de Caxias abrissem depois do meio-dia.

“A população também está nos apoiando mais desta vez. É claro que sempre há aquelas pessoas que reclamam por chegar no local e encontrar a agência fechada nos dias de protesto, mas na maioria dos casos temos recebido apoio. Além do Estado de São Paulo, tem havido uma boa adesão às manifestações de protesto em cidades de outros Estados também. No dia 25, cerca de 62 agências ficaram fechadas em Pernambuco. Em Florianópolis (SC) também, durante todo o dia”, observa Machini.

O diretor do sindicato destaca que uma das principais reivindicações da categoria - a de contratação de mais funcionários - está diretamente relacionada ao melhor atendimento dos clientes nos bancos. “Além de gerar mais empregos, a população será melhor atendida e ficará mais fácil a adequação à lei das filas, que determina o atendimento dentro de 15 minutos nos dias normais e, em dias de pico, 30 minutos de fila no máximo.”

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