Polícia

Lar Santa Luzia para Cegos é furtado pela 4ª vez neste ano

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

Pela quarta vez neste ano, o Lar Escola Santa Luzia Para Cegos foi furtado. A exemplo das últimas três ocorrências, que foram registradas entre agosto e setembro, os ladrões levaram materiais elétricos da entidade - desta vez foram nove metros de fios.

Por causa da interrupção de energia, cerca de 30 assistidos pela unidade não puderam participar das atividades educativas e profissionalizantes na manhã de ontem. O problema também prejudicou os serviços realizados pela entidade, explica Nilce Regina Capasso Canavesi, presidente do lar escola.

“A alimentação armazenada na geladeira estragou e os ventiladores não puderam ser acionados. O rádio não pôde ser ligado e os deficientes não conseguiram ouvir música. O trabalho de empalhamento de cadeiras também foi prejudicado porque eles precisam usar furadeiras”, detalha.

Até o restabelecimento da energia elétrica, na tarde de ontem, a maioria dos assistidos dedicou o dia jogando dominós. “Não pudemos empalhar cadeiras e a água estava quente por causa do bebedouro desligado. Alguns produtos do lanche também estragaram devido ao calor”, reclama o deficiente visual Jorge Herrera Lopes, 38 anos.

A entidade é protegida por grades resistentes e um sistema de alarme. Mesmo assim, os ladrões conseguiram entrar por um vão feito próximo ao medidor de energia. Não foram furtados móveis ou equipamentos guardados internamente na entidade.

“A caixa de energia é externa e o local não tem muita iluminação, o que pode ter facilitado o furto”, aponta o tenente Paulo César Valentim, comandante da Base Oeste, que é responsável pelo policiamento da Vila Ipiranga, bairro onde localiza-se a entidade.

Existente há 35 anos, o lar para cegos funciona de segunda a sexta-feira, das 11h às 17h, na quadra 24 da avenida Castelo Branco, Vila Ipiranga. Atendendo gratuitamente deficientes visuais entre 9 e 78 anos de idade, a unidade possui nove funcionários e busca promover a inclusão social desse público por meio da alfabetização em braile, profissionalização e atividades culturais, entre elas um grupo de teatro formado por assistidos. Para se manter, a entidade conta com doações da comunidade.

A ajuda de voluntários, inclusive, está amenizando os prejuízos causados pelo furto da ontem. “Já recebemos doação para compra da fiação, e os pães para o lanche de hoje (ontem)”, conta Nilce.

Para evitar novos furtos, a presidente do lar estuda a possibilidade de instalar câmeras e cerca elétrica na entidade. “Mas, para isso, também dependemos da sociedade”, diz.

A polícia está investigando o autor da ocorrência. Enquanto isso, a Base Oeste intensificará a fiscalização na região, afirma o tenente Valentim. “Se não descobrirmos quem roubou a entidade, vamos passar a deixar uma viatura de plantão estacionada no local”, aponta.

De acordo com o policial, quem tiver pistas sobre o caso pode ligar para a Base Oeste pelo telefone (14) 3214-1933. O nome do denunciante será preservado.

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