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Poder do elogio


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Nos evangelhos, há três registros em que a voz do Criador (YHWH = Javé ou Jeová) pôde ser ouvida do céu: no batismo de Jesus e na sua transfiguração, ouviu-se a frase: “Este é meu filho amado, escutai-o”. E, finalmente, quatro dias antes de sua morte, uma multidão fica assombrada ao ouvir a expressão: “Tanto o glorifiquei como o glorificarei de novo”. Vale ressaltar que todas estas manifestações divinas ocorreram em situações importantes na vida de Jesus e que obviamente foram decisivas para a realização plena de seu mistério.

Ao analisarmos estes fatos, percebemos o poder e o efeito do elogio, para quem faz e principalmente para quem recebe. Elogiar, segundo o dicionário Soares Amora, é o ato de tecer louvor a alguma coisa ou alguém. Há situações em que podemos enaltecer, através do elogio, o sujeito, a ação ou ainda a obra realizada. Em algumas ocasiões, apenas apontar a beleza das realizações já é o suficiente para que o agente da ação sinta-se feliz. Assim sendo, reconhecer a grandeza das obras “Monaliza”, “Antropofagia”, ou o nosso “Vitória Régia” louvamos o renascentista Leonardo Da Vince, a modernista Tarsila do Amaral e o arquiteto bauruense Jurandyr Bueno Filho, respectivamente.

Recomenda-se aos pais que façam uso desta poderosa “ferramenta”, generosamente e sem economias, ocasiões não faltarão: desde o nascimento até a maturidade podemos citar a beleza física, os primeiros e incompreensíveis sons, os passos iniciais, as expressões carinhosas, a realização de tarefas domésticas e escolares, a habilidade nas artes ou nos esportes, o aproveitamento escolar, o interesse pelos amigos, demonstrações de solidariedade, confiança, esforço, persistência e honestidade. Através do elogio sincero, mostramos nossa aprovação e, como conseqüência, norteamos ou sinalizamos o caminho correto a seguir, além de inculcar em suas mentes um estímulo positivo que reforça a auto-estima e contribui significativamente para a formação de sua personalidade.

Nas escolas, os educadores também serão bem-sucedidos ao utilizar este recurso: além de estabelecer sintonia entre professor/aluno, ele promove relações interpessoais saudáveis e reflete positivamente no aprendizado. Com o olhar, balançar da cabeça, sorrir, gesticular e ao falar mostramos nossa aprovação e incentivamos o educando a se manifestar, a evoluir, e indicamos atitudes e comportamentos corretos.

Também no ambiente empresarial, faz-se necessário o uso deste estímulo. Embora o contra-cheque seja apontado como fator primordial para o trabalho, o reconhecimento das tarefas bem-feitas, principalmente pelos líderes, cria no indivíduo um senso de utilidade, de valorização, um modelo a seguir além de promover um clima empresarial agradável. “Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio”, assim se expressou sabiamente Sigmund Freud. Portanto, quer sejamos jovens ou idosos, homens ou mulheres, façamos uso do elogio. Pratiquemos esta idéia. Todos possuem qualidades. É só observamos com atenção. Não custa nada. No entanto, tem um grande poder de motivação. (O autor, Clóvis Lourenço é educador)

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