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Após greve de 73 dias, Unesp encerra primeiro semestre hoje

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Previsto para terminar no início de julho, o primeiro semestre letivo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru chega ao final apenas hoje. Os 73 dias da greve deflagrada em maio por professores e funcionários do câmpus, uma das mais longas da história da instituição, provocaram mudanças no calendário e diminuíram de um mês para 10 dias o recesso escolar que terá início amanhã.

A alteração de datas acabou prejudicando quem estava acostumado a tirar férias em julho e havia se programado para aproveitar o recesso. “Tenho um projeto de iniciação científica para fazer e terei que ficar em Bauru. Se o calendário antigo fosse seguido, seria mais fácil para viajar”, afirma Mônica Cardoso, aluna de engenharia mecânica.

Para o estudante Diogo Barros Monteiro, que cursa arquitetura, os dez dias de folga serão importantes para se recuperar do ritmo imposto pela reposição de aulas. “O fim de semestre foi bastante corrido e agora pretendo aproveitar para descansar”, relata.

Além de prejudicar o calendário do primeiro semestre, a greve também afetou as férias de final de ano. O segundo semestre, que começa no dia 27 deste mês, se estenderá até fevereiro de 2005, com recesso apenas entre o Natal e o Réveillon.

Reposição

Depois que o movimento grevista foi encerrado, os alunos da Unesp retornaram às salas de aula no dia 2 de agosto, data em que curiosamente deveriam estar iniciando o segundo semestre. Desde então, os professores tem reposto as atividades que deveriam ter sido dadas caso não houvesse a paralisação.

Segundo os alunos ouvidos pela reportagem, porém, a qualidade das aulas deixou a desejar. “A reposição não foi satisfatória, porque as matérias não foram bem dadas. Com isso, a gente foi prejudicado”, reclama o estudante de engenharia mêcanica Eliseu Portela.

A opinião é compartilhada pela estudante de arquitetura Aline Silva Santos. “Os professores procuraram enxugar o semestre e acabou sendo estafante para nós. Fiquei dois dias sem dormir direito para dar conta dos trabalhos”, relata.

O diretor da Associação dos Docentes e Servidores da Unesp (Adunesp), Gilberto Magalhães, concorda que o longo tempo da paralasição trouxe prejuízos. “Acreditamos que algum ônus deve ter ocorrido e não há como negar isso. Foram mais de 70 dias de greve e não é fácil retomar o aprendizado depois desse tempo todo”, destaca.

Ele acredita, porém, que o tempo destinado à reposição foi suficiente. “Dentro do possível, podemos considerar o cronograma satisfatório. Além disso, o docente precisa ter a preocupação de retomar o aprendizado que foi interrompido”, comenta.

A mesma análise é feita pelo presidente do Grupo Administrativo do Câmpus (GAC), José Carlos Plácido da Silva. “É lógico que sempre há algum tipo de prejuízo e não adianta falarmos o contário, mas não acredito que seja um problema visível de imediato”, declara.

Segundo ele, nenhuma comissão foi formada com o intuito de fiscalizar a reposição. “Até porque os docentes são responsáveis pelas atividades que estavam estabelecidas previamente e que eram de conhecimento dos alunos”, argumenta.

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Reivindicação

O movimento grevista articulado por professores e funcionários da Universidade Estadual Paulista (Unesp) exigia reposição salarial de 16%, mas chegou ao fim depois que o Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp) ofereceu aumento de 2% retroativo a maio, além de outros 2,14% a partir de agosto e um terceiro índice a ser calculado em janeiro do próximo ano.

A pauta de reivindicações, porém, incluía outros itens, como a contratação de professores efetivos e a implantação de melhorias nos laboratórios utilizados pelos alunos.

O diretor da Associação dos Docentes e Servidores da Unesp (Adunesp), Gilberto Magalhães, garante que essas reivindicações não foram esquecidas. “Já foi realizada uma reunião com o Cruesp para tratar da assistência estudantil e tem sido cumprido um calendário para cuidar dos demais asuntos”, declara.

O presidente do Grupo Administrativo do Câmpus (GAC), José Carlos Plácido da Silva, lembra que, diferente da reposição salarial, as demais reivindicações não podem ser resolvidas imediatamente. “São ações a médio e longo prazos. Além disso, o próprio período eleitoral nos prejudica, já que estamos impedidos de fazer contratações”, diz.

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