A contradição deste título reflete a complexidade humana e as inúmeras possibilidades existentes dentro de nós. Não ver ou saber a respeito do que somos capazes limita-nos em exagero. Ainda vivemos a época de ter que enxergar ou tocar para crer, ou pior, nem constatando nos convencemos sobre tanto.
Algumas vezes, durante a nossa vida, somos tomados por uma forte sensação de poder interior. Então, nesta fração de tempo, sabemos claramente que há algo superior às nossas percepções e crenças. Entretanto, logo retomamos o lugar comum, esquecendo-nos rapidamente do que nos foi revelado internamente, tal e qual a brasa de uma lenha que dá o seu último estalo e se apaga. Adorável seria a chama do poder permanecer e nos acompanhar, ainda mais pelo fato de ela nos pertencer.
Todavia, usufruir tamanho poder requer alguns sacrifícios, dos quais, infelizmente, desejamos manter distância. São eles o conhecimento do muito somos e do pouco que utilizamos; a concentração, pois somos dispersos e superficiais em nossos pensamentos; a prática firme e constante da crença neste poder; saber exatamente o que se quer, tendo objetivos claros a respeito, usando o arsenal de técnicas até aqui descritas.
É importante lembrar que construímos tudo o que em nós se apresenta nos dias atuais e levou tempo para ocorrer tal resultado. Modificar-se e caminhar em uma nova direção exigirão um prazo também, não tão extenso, contudo necessário, para que se processe a transformação que cada um deseja para si próprio.
Os nossos pensamentos, já bem condicionados, lutarão contra, fazendo-nos crer que o que somos é só o que nos é possível ser. De fato, é uma verdade incontestável, caso nos mantenhamos na mesma posição. Se quisermos ir a alguma direção diferente da que estamos indo, será necessário, naturalmente, que modifiquemos o rumo, para então encontrarmos novos caminhos e resultados. Crer no inacreditável faz parte da nossa jornada. Crer no inacreditável é fazer uma aposta na crença das possibilidades. Crer no inacreditável é dar vida a algo anteriormente morto.
O autor, Armando Correa de Siqueira Neto, é psicólogo, consultor, conferencista e escritor