Economia & Negócios

Bancários recorrem ao ministro Berzoini

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Com a alegação de que estariam sendo forçados a voltar ao trabalho por meio de ligações telefônicas que começaram a ser feitas pelo Banco do Brasil (BB) em Bauru na noite de anteontem, os funcionários do banco enviaram, ontem, uma carta aberta ao ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini. No documento, pedem que o ministro tome providências imediatas para que o direito à greve seja respeitado e que não ocorram mais pressões junto aos funcionários.

“Funcionários de diversas agências do BB foram surpreendidos ontem (quarta-feira) à noite com telefonemas da administração do banco convocando-os a retornar imediatamente ao trabalho no dia seguinte (ontem), sob pena de perderem a comissão ou até mesmo de serem demitidos. Essa atitude é um grave ataque ao exercício de nosso legítimo direito de greve”, diz Roberto Machini, diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região.

O gerente regional do BB em Bauru, José Geraldo Trevisani, confirmou à reportagem as ligações telefônicas que estão sendo feitas a funcionários, mas negou que esteja havendo qualquer tipo de pressão ou coação.

“É verdade que essas ligações têm sido feitas, mas os funcionários estão sendo apenas convidados a voltar ao trabalho. Trata-se de uma conversa baseada no bom senso de ambas as partes, já que a população está sendo prejudicada com a greve. A categoria tem o seu direito à greve e ela é justa. Nós nunca tomaríamos uma atitude de obrigar o funcionário a trabalhar sob ameaças. Tanto é assim que ninguém voltou a trabalhar hoje (ontem)”, ressalta.

Trevisani destaca que esta é a primeira vez que os bancos públicos - Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal (CEF) - estão participando das negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) junto com as instituições privadas justamente por atender a uma reivindicação da própria categoria.

“Até a campanha salarial anterior, os bancos públicos faziam as negociações separadamente. Mas os bancários reclamaram e pediram para negociar junto, então, nós fizemos convênio com a Fenaban. Agora, a única coisa que está sendo pedida nessas ligações é para que o trabalho seja retomado, independentemente das negociações salariais. Se amanhã a Fenaban decidir dar 30% de aumento, nós vamos dar”, complementa Trevisani.

Ligações

Machini, do sindicato, contesta dizendo que vários funcionários teriam sido ameaçados. Em contato com a reportagem ontem, por telefone, quatro bancários confirmaram ter recebido as ligações, mas nenhum deles disse ter sido ameaçado de demissão se não retornasse ao trabalho ontem.

“Eu recebi um telefonema e perguntei se o banco estava ciente de que, em assembléia, nós já havíamos decidido continuar com a greve. Fui informado de que o pedido estava sendo feito independentemente da assembléia, mas não fui coagido nem ameaçado de perder o emprego”, diz um funcionário que desempenha a função de caixa, pedindo para ter seu nome preservado por temer represálias.

O gerente da agência do BB localizada na rua 1.º de Agosto, Sílvio de Oliveira Gonçalves, diz que espera contar com o bom senso de parte dos funcionários para que o banco possa voltar a prestar atendimento à população hoje ou nos próximos dias. “Não há coação, apenas não queremos que a população seja prejudicada.”

Em assembléia realizada no final da tarde de ontem no sindicato da categoria em Bauru, os bancários decidiram manter a greve - que entra hoje em seu décimo dia - por tempo indeterminado. Segundo o diretor Marcos Silvestre, a Fenaban ainda não avançou na proposta de reajuste salarial de 8,5% (a reivindicação da categoria é de 25%) nem marcou outra data para nova rodada de negociações.

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