Saúde

Fome oculta

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Fome oculta é o nome que os especialistas dão para um distúrbio que vem acometendo um número cada vez maior de pessoas no mundo moderno: a deficiência nutricional. Ela é caracterizada por uma alimentação desbalanceada que leva o indivíduo a apresentar carência de alguns micronutrientes, especialmente vitaminas e minerais.

A falta dessas substâncias é algo que não se vê, por isso, ela pode passar despercebida por muito tempo. No entanto, cada um desses nutrientes tem um papel específico no metabolismo humamo, de modo que uma ingestão insuficiente de qualquer um deles pode comprometer o bom funcionamento do organismo.

A nutricionista Rita Cristina Chaim, professora da Universidade do Sagrado Coração (USC) de Bauru, comenta que a fome oculta não escolhe idade, peso corporal ou classe social. Ela pode atingir qualquer pessoa. Estima-se que o distúrbio afete praticamente toda a população, em maior ou menor escala.

Chaim adverte que a perpetuação dessas carências nutricionais vai debilitando progressivamente o indivíduo e se elas não forem corrigidas, podem se transformar em doença.

“Num primeiro momento, ele pode ter alterações estéticas incômodas (pele feia, cabelo sem brilho e com queda, alterações no peso, unhas fracas). Com o tempo, o sistema imunológico enfraquece e as carências podem se transformar em doenças mais sérias, como a anemia por deficiência de ferro, a cegueira por carência de vitamina A e a osteoporose por deficiência de cálcio”, comenta a

nutricionista.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Durval Ribas Filho, para entender a fome oculta, é preciso conhecer alguns conceitos, como fome, apetite e saciedade.

Segundo ele, a fome é um estímulo geralmente desagradável que faz com que os seres vivos procurem por alimento. “Ela está associada a algumas sensações ruins, como ruídos e vazio no estômago secura ou salivação exagerada na boca e garganta e, em casos mais extremos, alterações na cabeça, como dor de cabeça, vertigem, sensação de desmaio e até o desmaio propriamente”, salienta.

Já o apetite é uma sensação agradável, que leva a pessoa a desejar e a esperar pelo alimento. Ele não surge necessariamente a partir da fome. Pode despertar quando se olha um alimento na vitrine, pela televisão ou simplesmente ao se pensar numa comida de que se gosta. Nesse caso, não há uma necessidade de buscar comida, mas o desejo de experimentá-la.

Seja por fome ou por apetite, tão logo se coma o alimento, o ponto da saciedade é acionado no cérebro e a pessoa entende que está satisfeita, que aquela quantidade já é suficiente.

“A fome oculta tem uma outra concepção. A pessoa tem uma ingestão energética suficiente para sinalizar a saciedade, mas os alimentos escolhidos não fornecem todos os nutrientes de que o corpo precisa, é uma saciedade ineficiente”, explica Ribas Filho.

Segundo os especialistas, a correria do mundo moderno tem contribuído imensamente para aumentar os casos do distúrbio.

“Alguns porque não têm dinheiro para comprar todos os alimentos. Outros porque não têm tempo ou paciência para lavar, descascar, picar, preparar esses alimentos. As pessoas acabam ingerindo o que é mais prático, simples e barato e isso quase sempre significa muitas calorias e poucos nutrientes”, afirma Chaim.

“A carência nutricional, associada ao excesso de trabalho, ao estresse que aumenta a cada dia, ao sedentarismo, ao tabagismo e tantos outros fatores, acaba se transformando num grave problema de saúde pública que precisa ser revertido com educação”, completa.

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