Por quase duas horas, mais de 600 pessoas ficaram na fila aguardando atendimento ontem na agência central da Caixa Econômica Federal (CEF). O grande movimento se deve ao excesso de serviços acumulados com a greve nacional dos bancários, que foi oficialmente suspensa anteontem (leia mais no texto abaixo). A unidade central do Banco do Brasil (BB) também ficou lotada durante toda a manhã de ontem.
Os bancos particulares estavam funcionando desde a semana passada, mas as unidades da CEF e do BB só começaram a trabalhar efetivamente anteontem. A maioria dos clientes que se dirigiram às agências na manhã de ontem reclamou da demora pelo atendimento. Algumas pessoas aguardaram na fila sob forte sol e manifestaram seu descontentamento.
É o caso da funcionária pública Dirce Eugênia da Cruz, que permaneceu por mais de duas horas em frente à CEF para tentar receber o Programa de Integração Social (PIS). “Não pude fazer isso antes porque o banco estava em greve”, contou.
O segurança Paulo Roberto Francisco Silva também se deslocou à agência pelo mesmo motivo. “Como o pagamento começou agora no dia 5, o movimento está maior”, apontou ele, que permaneceu por uma hora e meia na fila.
Segurando seu filho de 1 ano e 6 meses no colo, a dona de casa Thaís Bondesan estava revoltada pela demora do atendimento. “Estou há mais de duas horas aqui. A greve me atrapalhou porque os bancários entram em greve e nós é que temos que pagar o pato, enfrentando fila debaixo do sol”, disparou ela, que estava em busca do seguro-desemprego de seu marido. “Meu nenê está doente e o calor pode fazer mal para ele.”
A cozinheira Leonilda Brumelhause compartilhava da mesma opinião de Thaís. Ela precisou levar seu neto de 7 meses ao banco para receber seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). “A greve atrapalhou tudo”, lamentou. Bruno Eduardo da Silva concordou. “Vim dar entrada no FGTS e seguro-desemprego e estou há mais de uma hora na fila”, disse, enquanto cuidava de seu filho de 7 meses.
Para atender a maior demanda de serviços, alguns funcionários do BB aumentaram a carga horária de seu expediente, que normalmente começa às 10h30 e vai até as 16h.
Segundo o gerente da agência central do BB, Silvio de Oliveira Gonçalves, como os clientes tiveram acesso a meios alternativos de atendimento durante a greve - entre eles os caixas eletrônicos, correspondentes bancários e Internet -, a unidade não tem muitos serviços acumulados.
O movimento, porém, está maior desde anteontem. “Mas é preciso se levar em conta de que ontem (anteontem) foi uma segunda-feira, e estamos na primeira quinzena do mês”, ressaltou. Os serviços mais concorridos no BB esta semana são aqueles que necessitam dos operadores do caixa, como pagamento e recebimento de contas e depósito ou saque cujos valores não podem ser efetuados nos terminais.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a CEF disse que os pagamentos vencidos durante a paralisação dos bancários poderão ser efetuados sem ônus para o cliente até dois dias após a data do término do movimento grevista.
Em relação ao penhor, a dispensa de taxas será por dois dias úteis depois da retomada das atividades na agência central do banco. A licitação de penhor de setembro foi cancelada e uma nova data deverá ser marcada nos próximos dias. Os funcionários da CEF não farão hora extra para compensar o acúmulo de trabalho, segundo a assessoria.