Como de costume, todas as manhãs tenho o hábito de ler este conceituado jornal e no dia 22/9/2004 uma notícia de primeira página me surpreendeu: “Bauru pode reaver R$17 milhões de banco”. Fiquei espantado porque normalmente o dinheiro some dos cofres públicos e dificilmente ele retorna.
Agora, fazer com que o banco devolva dinheiro é o mesmo que acreditar em Papai Noel, mas segundo a reportagem, uma decisão da desembargadora Consuelo Yoshida, do Tribunal Regional Federal de São Paulo, determinou que o banco J.P. Morgam (ex-Chase Manhattan) deposita-se em juízo a quantia de R$ 17.639.902,01 referentes a erro de cálculo em favor do município de Bauru na federalização da dívida do viaduto inacabado. Este dinheiro só retornou aos cofres públicos através de uma ação popular de autoria do nobre vereador José Clemente Rezende, que descobriu e apontou o erro de cálculo.
O que me deixa intrigado é que somente o vereador Clemente enxergou estes erros. Será que só ele conhece a verdadeira função de vereador, que é de fiscalizar o dinheiro público, ou será que faltou coragem para os demais que preferiram ficar em cima do muro fazendo vista grossa. Na última seção da Câmara, um vereador foi infeliz ao dizer que “todos aqueles que freqüentam bares são pinguços”. Posso afirmar ao nobre vereador que freqüento bar, porque gosto de conversar com meus amigos, e não sou alcoólatra e nem bêbado; sou, sim, um trabalhador.
Outro assunto abordado foi a proposta de diminuir os subsídios dos vereadores. Todos nós sabemos que os corruptos não estão preocupados com os salários que irão ganhar e sim com os cambalachos que irão fazer no decorrer de seus mandatos. A redução de seus salários somente iria afetar os honestos, mas por que só agora, no período de eleições, este projeto está sendo proposto? Por que não foi proposto no começo do mandato?
Para finalizar, quero parabenizar o nobre vereador José Clemente Rezende, que durante o seu mandato foi sério, corajoso, honesto e fiel as suas convicções. Nós precisamos de políticos fiscalizadores e não de negociadores. (Cláudio Campos - RG 14.323.559)