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Para especialista, País reflete o modernismo arquitetônico

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Para o professor Guido Zucconi, de Veneza/Itália, o Brasil é um País do modernismo arquitetônico. Ele foi um dos conferencistas do 1.º Congresso Internacional de História Urbana, encerrado ontem no Seminário Santo Antônio, de Agudos. O evento foi uma realização da Universidade do Sagrado Coração (USC), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Escola de Estudos Avançados de Veneza, com apoio do Jornal da Cidade e Prefeitura de Agudos.

Desde a última quinta-feira até ontem, cerca de 300 profissionais da área de arquitetura e engenharia de várias nacionalidades - inclusive estudantes - discutiram temas ligados ao setor no congresso brasileiro que ficou conhecido como “Camillo Sitte e a circulação das idéias de estética urbana - Europa e América Latina: 1880-1930”.

Segundo Guido Zucconi, os arquitetos italianos vêem o Brasil como um País do modernismo arquitetônico. “Arquitetos como Oscar Niemeyer e Lúcio Costa são muito conhecidos. Pessoalmente, adoro Lúcio Costa na sua primeira parte, antes de transformar-se, aspecto que na Itália é totalmente ignorado”, explica.

Mas Zucconi reconhece que Brasília - uma das maiores obras da arquitetura mundial - é referência no planeta. “O Brasil, obviamente, é um País de pedregulho, de Brasília. Todos esses aspectos são muito conhecidos na Itália”, garante.

O professor de Veneza avaliou que o congresso realizado em Agudos - com enfoque para Camillo Sitte, arquiteto austríaco que viveu no século 19 - foi um sucesso. “O encontro colocou juntas pessoas que se ocupam de coisas em comum, mas que têm poucas oportunidades para se reunir. Camillo Sitte é um pretexto para se falar de uma série de pensamentos e planos diretores”, avalia.

Por ter se apoiado na razão do belo, Camillo Sitte criticava a frieza com que os arquitetos desenhavam as cidades naquela época, em particular no Brasil. “Creio que esse aspecto seja particularmente sentido na América Latina, porque quase a totalidade das cidades coloniais têm um plano diretor quadrado, como um tabuleiro de xadrez, própria daquela que Sitte não queria que se fizesse. Ele, ao contrário, falava da especificidade de lugares, particularidades. Portanto, pensava em planos reguladores que valorizassem o aspecto individual”, diz Zucconi.

Na avaliação da socióloga Maria Arminda do Nascimento Arruda, docente da Universidade de São Paulo (USP), que também participou do evento, as concepções de Camillo Sitte são orientadas para uma crítica básica à cidade moderna.

“Nascem de um contexto particular, aquele de Viena nos fins do século 19, quando as transformações urbanas acabam por destruir as formas antigas”, explica.

Duas datas

De acordo com o professor Adalberto da Silva retto Júnior, do curso de arquitetura da Unesp/Bauru, o 1.º Congresso Internacional de História Urbana representou uma ocasião para comemorar dois grandes eventos da história do urbanismo: o centenário da morte de Camillo Sitte (celebrado no dia 16 de novembro do ano passado) e o centenário da publicação da revista Der Stadtebau, da qual o austríaco foi um dos fundadores.

Retto Júnior acredita que o evento promoveu o incentivo da pesquisa comparada entre a Europa e América Latina sobre os anos de formação da disciplina urbanismo. O professor reforça que, nesse contexto, o congresso representou uma oportunidade de troca de conhecimentos e informações importantes para estudiosos, estudantes e pesquisadores dos dois continentes na promoção de uma agenda comum de pesquisas.

Ontem, último dia do evento, arquitetos, engenheiros e estudantes foram conhecer de perto as fazendas de café de Agudos, Lençóis Paulista, São Manuel e Botucatu. Também tiveram a oportunidade de fazer um passeio por Bauru, durante o qual conheceram prédios já tombados pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico.

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