Politicando

Barroso


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Fizemos o cuso científico juntos, mas éramos de tribos diferentes. Eu lia a Gazeta Esportiva, Jorge Amado, Fernado Sabino, Revista do Esporte.

Ele, revistas de moda, clássicos, biografias, Homero, Maquiavel. Eu jogava na várzea. Ele estudava piano. Eu escrevia no Diário de Bauru. Ele, peças de teatro. Eu vivia política. Ele, poemas.

Terminado o terceiro ano no Guedes de Azevedo, fiquei em Bauru. Ele foi para Paris desenvolver e aperfeiçoar a arte de escrever, representar e tocar. Aprenderia a fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro. Era um gênio. Morreu jovem. Morreu gênio. Seu nome: Mauro Rasi.

Anos sem vê-lo, encontro-o em Paris, em 1976, caminhando às margens do Senna. Fazia um frio medonho, mas como levava notícias de Bauru, me fez sentar numa mureta úmida para falarmos de tudo, de todos. No final, passamos a relembrar os colegas do colégio:

- Gobinho?

- Formou-se em educação física.

- Celso?

- Odontologia.

- Paulo Manso?

- Acho que direito.

- Hudson Futeba?

- Engenharia.

- Barroso?

- Tá no IPA - Instituto Penal Agrícola.

- Eu sabia que um de vocês ia acabar lá.

Barroso era funcionário concursado no IPA. No final dos anos 70, voltou para sua terra e virou prefeito da cidade dele, nos arredores de Campo Grande. Humilde e bom como um franciscano, vive por lá até hoje, prefeitando e trabalhando. (História enviada por Amir Farha)

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