Cultura

Artigo: Foto-arte

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 1 min

Apreciar uma exposição fotográfica nem sempre é fácil. Percebê-la como forma de arte é privilégio para poucos. Isto porque, a exemplo do que acontece com os quadros, todos os detalhes de uma foto-arte trazem infinitos significados simbólicos, que se completam em perfeita (ou não) harmonia com a composição.

Muito mais do que estimular a percepção do público, a mostra fotográfica “Mulher-Árvore”, de Joyce Guadagnucci, cuja abertura foi realizada ontem no Templo Bar, é um convite a quebrar paradigmas. Afinal, a maioria das pessoas está acostumada a ver cenas comuns nas telas, entre elas a natureza bucólica ou vasos de flores coloridas (sem tirar o mérito desses temas) e acharem que dessa forma, estão contemplando o belo.

Retratar a simbiose existente entre árvores e corpos femininos, é, no mínimo, uma experimentação ousada feita pela fotógrafa. Todas ampliadas em preto-e-branco, as imagens trazem à tona a beleza dominante em cada parte do corpo da mulher, comparando-as com elementos da natureza. Seios, nádegas, olhos, cabelos, costas, mãos, diversas partes expostas, ora de forma lúdica, outras vezes com trejeitos sensuais.

A textura de um tronco antigo se encontrando com a delicadeza da pele feminina, ou um rosto suave e pleno retratado na copa de uma árvore frondosa despertam o lado feminino do espectador: transmitem leveza, suavidade, graça e encanto. Estamos falando ou não de beleza?

Além disso, é bom ressaltar a técnica empregada nos trabalhos: a sobreposição de negativos, uma herança do dadaísmo e surrealismo, correntes literárias que (por sorte), inspiraram todas as fotografias. A mostra vai até o dia 9 de novembro, no Templo Bar, e pode ser vista gratuitamente.

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