Não há como negar: os telefones celulares já fazem parte do cotidiano dos brasileiros. O que era um símbolo de status passou a ser necessidade e instrumento de trabalho, e o número de aparelhos cresce mês a mês em todo o País. Ainda assim, o serviço não agrada por completo e a principal queixa dos usuários é quanto ao preço das tarifas, segundo uma pesquisa da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Atualmente, as tarifas nas três empresas que operam a telefonia móvel no Interior de São Paulo – Claro, Tim e Vivo - variam de R$ 0,48 a R$ 1,75 para ligações locais. Aos que andam extrapolando nos gastos com a conta do celular ou vêem os créditos escoando como areia a cada ligação, uma saída é optar por tarifas e planos diferenciados. Em casos mais extremos, os usuários podem economizar até R$ 1 mil por mês apenas com a mudança de pacote.
É o que aponta uma pesquisa realizada pela Pro Teste Associação Brasileira de Defesa do Consumidor. O estudo avaliou mais de 50 planos, oferecidos pelas operadoras Vivo, Tim e Claro, e estabeleceu cinco perfis de usuários para indicar quais seriam as melhores opções a cada um.
Segundo os dados da pesquisa, a operadora com as tarifas mais caras nos casos analisados é a Vivo, enquanto a Claro apresenta os planos mais econômicos. As maiores diferenças atingem justamente os usuários que utilizam mais o celular e fazem mais de 300 ligações por mês.
Para uma pessoa que faz cerca de 500 chamadas ao mês, a maior diferença foi entre o plano pós-pago 1000, que cobra R$ 225,00 pelo serviço, e o pré-pago Alô Fácil da Claro, que teria gasto de R$ 1.280,00 para o mesmo número de ligações. A diferença é de R$ 1.055,00.
O coordenador do Procon em Bauru, Sílvio Orti, revela que o maior número de reclamações no órgão são referentes a defeitos e vícios nos aparelhos, ligações não reconhecidas nas contas e consumo excessivo dos créditos nos aparelhos pré-pagos. “Não temos reclamações quanto ao preço das tarifas, porque esse item é estabelecido pelas operadoras. O consumidor tem de estar informado do preço das tarifas quando vai adquirir seu celular”, orienta.
Orti alerta os consumidores para as propagandas e promoções oferecidas pelas operadoras no momento da aquisição do celular ou da mudança de plano. Ele ressalta que os planos e ofertas, em sua maioria, são sazonais e após o período estabelecido, retomam a situação anterior.
“Os planos apresentam, por exemplo, tarifas menores, mas isso é temporário. Alertamos também para os contratos que possuem cláusulas de fidelização do cliente. Essa cláusula obriga o cliente a ficar com a linha ou o aparelho por um ano, sob pena de imposição de multa. É importante tomar cuidado, porque as operadoras têm feito questão dessa multa”, diz.
Pré ou pós?
Uma das conclusões do estudo contraria a tendência atual do mercado brasileiro, em que 79% dos celulares são pré-pagos, ou seja, dispensam o pagamento de uma conta mensal. A Pro Teste alerta que, em geral, o custo das ligações nos aparelhos pré-pagos é maior e os usuários são obrigados a fazer recargas periódicas.
A entidade recomenda a aquisição de planos pré-pagos apenas para usuários que recebem muitas ligações e fazem poucas chamadas, em torno de 10 minutos por mês.
Nos planos pós-pagos, há a possibilidade de contratação de pacote de minutos, em que o usuário define o quanto vai gastar, e pode até bloquear as ligações que ultrapassarem o limite. Além disso, o custo das ligações tende a ser mais barato nos pacotes com mais chamadas.
Há ainda a opção de contratação de assinatura mensal com custo fixo, na qual os serviços utilizados e chamadas realizadas são pagos separadamente.
Jorge Luís Santos Cruz, que é gerente operacional de uma empresa de TV a cabo, possui atualmente dois telefones celulares em funcionamento e considera os aparelhos fundamentais para seu trabalho. “Na área comercial é impossível ficar sem um celular”, alega. Um de seus aparelhos é pré-pago e o outro está incluído em um plano coorporativo, o que lhe possibilita falar com seus vendedores sem qualquer custo.
“Para meu uso pessoal, tenho um pré-pago, mas prefiro o pós-pago. O sistema do pré-pago não é honesto, os créditos são consumidos com muita rapidez, mesmo quando uma ligação não é completada e, além disso, as tarifas têm preços absurdos”, destaca.
Cruz comenta que procurou se informar dos planos e tarifas quando teve de adquirir seus aparelhos. “Encontrei a melhor proposta em uma operadora diferente da minha e não tive dúvida em mudar. Atualmente, tenho dois celulares de operadoras diferentes, justamente pelo diferença no preço dos planos”, diz.
Já o vendedor Juliano Cardoso Chagas, que trabalha em uma loja de celulares, se diz um viciado em novos aparelhos e tecnologia, mas como bom funcionário, não cogita trocar de operadora. “Nunca pensei em mudar de operadora em razão das vantagens que tenho. Aliás, só tenho vantagens, não vejo qualquer desvantagem em ficar na mesma operadora”, argumenta.
Trabalhando há sete anos na área, ele afirma que troca de aparelho a cada oito meses. “Procuro estar atualizado, justamente porque acho que em casa de ferreiro, o espeto não pode ser de pau”, brinca.