Quem foi ao show de Arnaldo Antunes ontem, no Serviço Social do Comércio (Sesc), não se arrependeu. Ele é, com certeza, um artista multimídia e essa característica ficou evidente no palco. Vestido como um louco, fugido do manicômio, o cantor misto de músico, ator, designer, escritor, poeta e artista plástico literalmente enlouqueceu o público.
Primeiro por causa de sua voz equalizada e enigmática, que - com alguns efeitos digitais - tomou conta de todos os espaços do clube. Depois pelas letras que retratatavam do cotidiano ao cenário político ecoando nos ouvidos da galera (formada principalmente por jovens e universitários). Sem contar as perfomances lunáticas comandadas por Antunes, que ganharam destaque com as luzes coloridas no palco.
Como já anunciado, o repertório do show se baseou nas canções do sétimo CD do cantor, “Saiba”. Embora desconhecidas pela maioria, as músicas - reproduções sonoras de poesias visuais feitas por Antunes - agradaram. Os temas, como o próprio artista comentou no show, tratam de temas diversos.
O tom romântico ficou por conta do refrão “Tô louco pra fazer/ um rock com você”, na canção “Consumado”; a temática social foi evidenciado na faixa título “Saiba”, que “é uma canção para ninar adultos”, conforme definição do próprio Antunes. Os primeiros versos de “Alegria” (“Eu vou te dar alegria/ não vou parar de chorar/ eu vou raiar um novo dia/ eu vou sair do fundo do mar”, música que fez parte da trilha sonora do filme “Benjamin” (2004), garantiram o clima leve do show, que contou ainda com o sucesso “Tribalistas”, música tema do trio formado por Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown.
Assim como entrou, Antunes se despediu na pele de um louco pensante. Terminou a apresentação cantando o hit “Socorro” (“Socorro não estou sentindo nada.../ Socorro já não sinto nada). E viu o público vibrar com a letra “Eu fico louco/ eu fico fora de si”, da canção “Eu Fica”.