Afalta de colaboração dos pacientes no cumprimento às determinações do especialista é um dos fatores que contribuem para o reaparecimento dos problemas ortodônticos, segundo o professor José Fernando Castanha Henriques, da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP).
Ele comenta que muitos pacientes precisam usar, além do aparelho fixo, um aparelho extrabucal – popularmente chamado de freio por assemelhar-se ao acessório usado em cavalos - para auxiliar no realinhamento dos dentes. Porém, como ele chama muito a atenção, o paciente acaba não usando o tempo necessário.
“Se precisamos de uma ancoragem fora da boca para movimentar os dentes para uma posição mais correta possível e o paciente não colabora, os dentes não vão ficar na posição que deveriam. E como não ficaram na posição adequada, existe uma probabilidade maior de que haja uma regressão em parte do tratamento”, adverte.
Outra situação comum, segundo Henriques, é a negligência com o aparelho de contenção. Ele explica que quando o aparelho fixo é retirado, os dentes estão amolecidos e precisam de alguns meses para se fixarem novamente aos ossos. Nesse período, é necessário usar a contenção, ou seja, um acessório que vai manter os dentes fixos no alinhamento desejado até que o organismo se encarregue de readerir ossos e raízes.
“Só que esse aparelho é móvel. Então, o paciente tira porque tem que ir a uma festa, vai viajar e esquece de leválo, quando volta o aparelho não cabe mais, ele ‘esquece’ de voltar ao dentista. Quando percebe, o problema reapareceu, os dentes voltaram a apinhar por descuido do próprio paciente”, salienta.
Oespecialista alega, porém, que há situações em que o problema ortodôntico aparece sem que ninguém tenha culpa. Com o passar dos anos, os dentes humanos sofrem um desgaste natural e isso força o organismo a promover uma reacomodação das estruturas faciais.
“Os incisivos inferiores encostam nos superiores.Como essa pressão é contínua, uma hora os inferiores começam a apinhar, mesmo em pessoas que nunca tiveram problemas de oclusão. Chama-se apinhamento terciário e estamos sujeitos a isso durante toda a vida”, alerta.
Essa acomodação pode ser mais perceptível em quem já usou aparelhos. “Um bom especialista prevê isso e já deixa uma margem de segurança”, encerra Henriques.