Meu Deus. Vou te contar algumas das coisas que eu vejo:
Vejo muita gente se deliciando nos nossos maravilhosos pesqueiros, gastando bastante dinheiro, tentando talvez se livrar do “stress” do dia-a-dia, mas no meio dessa gente eu sempre vejo alguém recolhendo latinhas vazias para tentar comprar um pedaço de pão para sua família.
Vejo nos salões de festas das igrejas, verdadeiras multidões se fartando com os mais variados e deliciosos petiscos nas nossas famosas quermesses, mas ali também eu vejo pessoas recolhendo latinhas vazias para tentar conseguir algum dinheiro para comprar e levar algum alimento para suas casas, ou fazem as “refeições” na rua, porque infelizmente nem todos possuem residência fixa.
Vejo no Calçadão da nossa cidade, a qualquer hora do dia, muita gente sentada às mesas das boas lanchonetes ali existentes, saboreando os mais apetitosos lanches e sorvetes, mas, mais uma vez, eu vejo varias pessoas; crianças, jovens, senhores e senhoras idosas revirando as lixeiras em busca das latinhas vazias. Não, eu não sou contra recolher as latas, mas eu penso que poderia existir uma ou mais empresas para tal trabalho, mas empresas sérias, que registrasse seus “recolhedores de latas” com um salário digno, com um plano de saúde e é claro todos teriam uma vida digna, mais humana e a esperança de uma aposentadoria.
Senhor. Todo dia de manhã quando sento à minha mesa, onde posso ver alguma variedade de alimentos, me ponho a pensar naquele pessoal que vive recolhendo latinhas vazias. Será que um dia meu Deus, seremos todos iguais? Como seria bom Senhor, se todos tivessem pelo menos alimentos para saciar a fome das suas crianças, tivessem um teto para abrigar as suas famílias, pudessem enfim Senhor, viver uma vida um pouquinho mais digna e não mais vivessem pelas festas, pelos pesqueiros e pelas ruas recolhendo latinhas
Para que, meu Deus, eu preciso acumular riquezas e mais riquezas materiais nessa breve passagem aqui pela terra. Penso que a minha caminhada não será proveitosa se eu não olhar para os lados e enxergar a realidade do que está à minha volta e mais ainda; perceber que meus irmãos estão precisando de mim e tentar ajuda-los de alguma maneira, para amenizar um pouquinho o seu sofrimento. Sabe, meu Deus, essa nossa “conversa” é particular, mas que bom seria se todos ouvissem e começassem a pensar como eu estou pensando agora e mais, além de pensar, que bom seria se todos nós começássemos a nos ajudar mutuamente. Que bom seria Senhor.
Ivo de Jesus Ribeiro - RG 7.467.197/2