Com a chegada do final do ano, os trabalhadores registrados providencialmente recebem uma oportunidade extra para respirar e tentar fazer o mês de dezembro um pouco menos apertado do que o resto do ano: o 13.º salário. No entanto, as contas, os presentes, a ceia e os gastos da época, juntamente com o espírito de consumo do Natal, podem fazer esse dinheiro desaparecer antes mesmo do trabalhador fazer as contas do que poderia gastar. Economistas consultados pelo JC orientam que o uso do benefício deve ser planejado para seu melhor aproveitamento e também para evitar a corda no pescoço durante o ano que ainda nem começou.
Um ponto é unânime entre os especialistas econômicos: o 13.º salário é a melhor oportunidade para o consumidor saldar suas dívidas e limpar seu nome. De acordo com o economista Wagner Ismanhoto, o salário adicional dá possibilidade ao trabalhador de equilibrar seu orçamento – opção mais prudente do que distribui-lo em compras muitas vezes desnecessárias.
“A maioria das pessoas vive gastando mais do que ganha, não porque gasta muito mas porque ganha pouco. O 13.º é a oportunidade de fazer o que não foi possível durante o ano, e a primeira sugestão é sempre de tentar acertar as contasâ€, orienta.
O economista José Roberto Serra explica que o benefício tem a função de complementar a renda das famílias no final do ano e deveria ser utilizado para a realização das vontades que as pessoas reprimiram no correr do ano, especialmente pela falta de dinheiro. “O salário adicional dá uma folga no orçamento para que as pessoas paguem suas contas atrasadas, as contas assumidas durante o ano. Agora é o momento de pagá-lasâ€, recomenda.
Acertar as dívidas é o que pretende fazer a balconista Mônica Ferreira de Melo. Ela conta que não possui contas atrasadas, mas fez uma compra para uma pessoa há alguns meses e não recebeu o dinheiro. “Meu nome acabou ficando sujo, então quero resolver isso logo. Se sobrar alguma coisa, quero comprar roupas para meu filho, mas não vai dar para comprar tudo o que eu gostaria. Ainda assim, é melhor acertar a vida com esse dinheiroâ€, constata.
O assistente de produção Cirso Marques Júnior também tem a intenção de usar seu 13.º salário para quitar dívidas. “Vou terminar de pagar as prestações da casa e se sobrar alguma coisa, vou usar para fazer a nossa festa de Natalâ€, diz.
Planos e compras
O fiscal Joel Epifani Ferreira também esquentou a cabeça nesse ano com dívidas e nome no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). No entanto, ele já conseguiu pagar contas atrasadas e quer se presentear com seu salário adicional. “Estou tranqüilo porque quitei minhas dívidas e só vim aqui ao SPC para ver se está tudo certo. Com meu 13.º, quero dar entrada para a compra de uma moto, e quero dar a maior entrada possível para poder encaixar o financiamento das parcelas no meu orçamentoâ€, planeja.
Na opinião do economista Ismanhoto, as pessoas que estão com o orçamento organizado deveriam evitar o endividamento para o próximo ano. “A melhor compra é a que você faz em condição à vista, quer seja um bem, um presente ou uma viagem. Com o dinheiro em mãos, você tem maior poder de negociaçãoâ€, destaca.
Ele recomenda que os consumidores pesquisem o preço do produto desejado, inclusive em lojas virtuais. “Às vezes, o preço em alguns sites é menor do que nas lojas.â€
Serra lembra que o preço das mercadorias em dezembro tende a ter alto, porque a demanda é maior. O contrário normalmente ocorre em janeiro e fevereiro, com a queda dos preços e diversas promoções e liquidações promovidas pelas lojas. â€œÉ esperado que um volume maior de dinheiro esteja em circulação, então o mercado reajusta os preços. Se a pessoa reservar esse dinheiro agora e aplicar na poupança, por exemplo, ela vai ter algum rendimento e pode esperar para comprar em janeiro ou fevereiroâ€, aponta o economista.
Contrariando as indicações, o industriário Francisco Teixeira de Souza revela que já gastou seu benefício de final de ano. “Fizemos um guarda-roupa novo para nossa casa e vou pagar com o 13.º, já estou contando com esse dinheiro para saldar essa compraâ€, afirma.
Ano novo e muitos gastos
Após as festas de Natal e Ano Novo, a vida continua e as contas não deixam de chegar. O economista Wagner Ismanhoto relembra a importância de planejamento no orçamento familiar para o atendimento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), além de gastos com viagens e programas de férias e material escolar para os filhos.
“Se possível, é ideal fazer uma certa provisão do 13.º salário para o começo do ano, que reserva algumas despesas adicionais no orçamentoâ€, diz.
É o que pretende fazer a gerente comercial Meire Lúcia Maia da Silva. Ela revela que programou o uso de seu benefício para o pagamento do seguro do carro e do IPVA. “Eu preferi me comprometer com esses gastos em janeiro, para poder usar o 13.º nisso. Espero que sobre um pouco para comprar presentes para a família e também para fazermos uma viagem nas férias. Consegui me controlar durante o ano para poder fazer a ceia de Natal, mas não fizemos uma reserva para os presentesâ€, lamenta.
Já a auxiliar de enfermagem Patrícia Mazin vai pelo caminho inverso e pretende gastar todo o salário adicional ainda em dezembro. “Eu vou gastar de cara! (risos). Vou comprar presentes para filho, para a família, porque não estou precisando acertar contas, tudo está tranqüilo. Vou usar meu 13.º mesmo com o Natalâ€, finaliza.