Economia & Negócios

13º pode aliviar inadimplência de R$ 19 milhões no comércio

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

O pagamento do 13.º salário dos trabalhadores somado ao melhor cenário da economia neste final de ano em comparação a 2003 - o que inclui aumento nos índices de emprego formal - pode contribuir para a redução do atual montante de R$ 19 milhões de dívidas registradas pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), órgão ligado à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru. Os comerciantes estão animados com o Natal.

Segundo o diretor do SPC, Sérgio Evandro Motta, o valor da inadimplência refere-se ao total dos últimos cinco anos, período no qual o nome do devedor fica registrado na lista de inadimplentes do órgão de proteção ao crédito. Ou seja, ao longo de cinco anos, a contar da data em que a dívida é registrada, o comércio pode insistir na cobrança para tentar reaver o dinheiro.

“Se formos somar a dívida registrada desde a implantação do Plano Real, em 1994, o montante seria hoje em torno de R$ 29 milhões. Mas os R$ 10 milhões referentes ao período de 1994 a 1999 já são considerados perdidos para o comércio, porque prescreveu o período de cinco anos”, explica Motta.

De acordo com ele, somente no último ano a inadimplência registrada pelo SPC soma R$ 5,8 milhões - número atualizado até ontem. Contudo, os números referem-se apenas às lojas que possuem convênio com o SPC local, que podem ser de pequeno, médio ou grande porte.

Das cerca de 70 mil pessoas cujo nome consta no cadastro de inadimplentes do órgão no momento, a maior faixa - 18.800 ao todo - é composta por pessoas com idade de 30 a 40 anos, entre homens e mulheres, informa o diretor do SPC.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) e da Associação dos Lojistas do Bauru Shopping Center (ALBSC), Cássio Carvalho, afirma que são muito boas as expectativas para este final de ano em relação à destinação do 13.º salário de grande parte dos consumidores.

“Tradicionalmente, no final do ano muita gente tira o nome do SPC porque faz questão de conseguir quitar dívidas para poder fazer compras parceladas para o Natal. Neste ano, a inadimplência está menor do que no ano passado. Geralmente, a primeira parcela do 13.º é utilizada para pagar dívidas, e a segunda (parcela) é direcionada às compras. Mas como a inadimplência está menor desta vez, o volume de compras deve ser ainda maior”, analisa Carvalho.

A gerente de uma loja de confecções do Bauru Shopping, Waldyleide de Oliveira, engrossa o coro dos otimistas. “Eu percebo que as pessoas estão mais conscientes em relação a isso e entendendo que é mais vantajoso quitar uma dívida antiga para que os juros não aumentem ainda mais, e depois disso fazer outra compra. Nossas expectativas para o final do ano são muito boas.”

Em relação ao montante de R$ 19 milhões da dívida acumulada nos últimos cinco anos no comércio de Bauru, Cássio Carvalho diz que ainda é possível receber parte dos valores até o final de 2004. Segundo ele, que também é comerciante, nas suas lojas o índice de inadimplência não chega a 1% do faturamento.

“Olhando somente para os números da dívida acumulada, o valor assusta. Mas contextualizando isso na realidade do País nesse período, o valor é até pequeno. Somando a isso as expectativas positivas que se projetam para o final do ano, ainda em 2004 essa dívida pode ser diminuída.”

Segundo Sérgio Motta, o comércio de Bauru nunca fez um levantamento oficial para quantificar o volume de vendas concretizado anualmente. Segundo cálculos feitos pelo economista e diretor da Acib Reinaldo Cafeo, levando-se em conta que o Produto Interno Bruto (PIB) anual de Bauru gira em torno de R$ 2,5 bilhões e que cerca de 55% disso provém das atividades do comércio, pode-se estimar que o setor movimente algo entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão ao ano.

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Para SPC, falta rigor das lojas na análise de crédito

Para o diretor do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de Bauru, Sérgio Evandro Motta, os índices de inadimplência do comércio poderiam ser menores se os lojistas fossem mais cuidadosos e severos na hora de aprovar compras a prazo.

“O consumidor banaliza muito as compras a prazo. Muitos só se preocupam em calcular a quantidade de parcelas que caberão no seu orçamento com os devidos valores, mas depois relaxam com esse compromisso. Por isso, os lojistas não devem se contentar a somente consultar o SPC antes de fechar um crediário. É preciso fazer uma análise de crédito mais completa para ter mais segurança”, observa.

Entre essas medidas ele sugere pedir informações como a renda da pessoa, qual a profissão, há quanto tempo está empregada, disponibilizar parcelamentos menores quando o consumidor estiver fazendo o crediário pela primeira vez, entre outras.

“No afã de vender, muitas lojas relaxam na análise de crédito do consumidor em potencial, mas isso é uma faca de dois gumes para o lojista. Depois, sai mais caro ficar com a dívida. E isso tem diversos reflexos, pois se o comerciante não recebe parte do que vendeu, tem menos dinheiro para ampliar os negócios e poder gerar mais empregos, por exemplo”, destaca Motta.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) e da Associação dos Lojistas do Bauru Shopping Center (ALBSC), Cássio Carvalho, concorda. “Muitas vezes, é preferível não fazer a venda do que correr um risco muito grande de perder o dinheiro e a mercadoria. Há outras formas de reduzir esse risco além de consultar o SPC”, observa.

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