Politicando

Da causa e do efeito


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Os bons oradores, capazes de comover e conquistar platéias, hoje são muito raros, principalmente nos dois ambientes em que a palavra falada sempre teve muita relevância, os debates parlamentares e a tribuna, de acusação ou defesa, no Tribunal do Júri.

A carência, atual, de talentos oratórios me faz lembrar com muita saudade de inesquecíveis talentos que, nos meus tempos de estudante, tive o privilégio de ver e de ouvir, como Ibrahim Nobre, o grande tribuno paulista da Revolução de 1932, Emílio Carlos, o grande deputado Hamilton Dragomirof Franco, promotor de Justiça e grande tribuno do Júri. E muitos outros.

São muitas as virtudes dos bons oradores, mas, sem dúvida, e ao menos para meu gosto, a principal delas é a espontaneidade e a imediatidade da resposta, geralmente feita de forma a fazer desabar o adversário e provocar manifestações delirantes dos ouvintes.

Dou exemplo, que vi e ouvi, na Assembléia Legislativa de São Paulo, no velho Palácio Pedro II, 1961. Ocupava a Tribuna a deputada Conceição da Costa Neves, também conhecida como Conceição Santamaria, e a ela aparteava, acaloradamente, o deputado Germinal Feijó, crescendo a tensão de parte a parte e aumentando a atenção do plenário e da platéia que naqueles bons tempos costumava acompanhar os debates parlamentares.

Certo momento, Germinal Feijó assaca muito enfaticamente aparte agressivo:

- Vosso discurso, minha nobre colega, pelo que contém e pelo que pretende, eu o vejo como um verdadeiro purgante!

O troco da deputada, criativo e imediato, provocou gargalhada geral, eis que ela retrucou na hora:

- E no agressivo aparte de Vossa Excelência eu vejo o efeito dele!

Contada por José Fernando da Silva Lopes

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