Regional

PM mobiliza tropa e sem-terra desocupam fazenda em Borebi

Adilson Camargo (com Agência Estado)
| Tempo de leitura: 2 min

Borebi - A Polícia Militar mobilizou 150 homens hoje para desocupar a fazenda Capim, em Borebi (45 quilômetros a sudeste de Bauru), invadida por 300 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) há mais de uma semana. A reintegração de posse foi concedida dois dias após a invasão, mas os sem-terra ameaçavam resistir.

O juiz de Cerqueira César, Cláudio Salvetti D’Angelo, autorizou o uso de força policial caso houvesse resistência. Quando a tropa chegou, líderes do movimento avisaram que não iriam sair.

Os sem-terra disseram haver muitas mulheres e crianças no grupo e exigiam a presença de representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp). Foram duas horas de negociações, até que os líderes cederam.

“Mostrei a eles a superioridade da nossa força e disse que não queria usá-la, a menos que fosse obrigado”, contou o capitão José Aparecido Godoy Siqueira, comandante da 5ª Companhia de Policiamento de Lençóis Paulista. “Levamos um efetivo grande justamente para não dar chance a um confronto”, disse.

Entre os policiais havia integrantes da Força Tática, do Canil e da Cavalaria de Lençóis e de Bauru. Eles receberam apoio da Polícia Ambiental e do helicóptero Águia, que sobrevoou o local.

O dono da fazenda, Emiliano Sampaio Novaes, providenciou três ônibus e 20 caminhões para a remoção das famílias. Segundo o coordenador operacional do 4º Batalhão de Polícia Militar, em Bauru, major José Humberto Nardo, que acompanhou a desocupação, o último grupo de sem-terra deixou a fazenda por volta das 11h. “Foi melhor do nós esperávamos”, declarou o major. Segundo ele, os policias estavam preparados para passar o dia todo na fazenda.

No dia da invasão, os sem-terra chegaram a pé. Na ocasião, eles renderam e desarmaram quatro seguranças contratados pelo fazendeiro. Os três revólveres e cassetetes foram entregues à Polícia Federal. “Eram seguranças legais e tinham registro e porte das armas”, disse o capitão Siqueira.

A área, de 2,5 mil hectares, é objeto de ação discriminatória movida pelo Incra, que alega serem terras devolutas, mas o proprietário ganhou em primeira instância.

Os sem-terra deixaram a fazenda de Borebi e voltaram para Iaras. Por enquanto, eles permanecerão no assentamento Ninho Verde, a cerca de oito quilômetros da fazenda Capim, onde estavam até ontem.

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