A morte de um jovem de 19 anos depois de uma briga de trânsito ocorrida há duas semanas em Bauru mostra que as pessoas estão perdendo a cabeça por razões cada vez menores. Alex Ferreira Cipriano morreu porque ultrapassou outro veículo em alta velocidade. Segundo a polícia, os motoristas se encontraram num semáforo, discutiram, Cipriano reagiu com socos e o outro condutor revidou com dois tiros.
Reações desmedidas como essa estão se tornando cada vez mais freqüentes e aparecem nas situações mais simples do dia-a-dia. Quem é que nunca esbravejou sozinho porque o motorista da frente fez uma conversão sem ligar a seta? E quem é que não se irrita ao telefone só porque atendeu uma ligação indesejada?
Para os especialistas, as reações extremadas são conseqüência de um conjunto de situações que precisam ser revistas individual e coletivamente. Situações que geram estresse e, se não forem controladas, podem realmente desencadear transtornos psíquicos graves.
A redução da tolerância ocorre simultaneamente ao aumento do individualismo. Enquanto uns ignoram a fronteira entre seus limites e os do próximo com atitudes indevidas, outros exigem ter esses limites respeitados sem levar em consideração que o outro pode ter problemas, pode não o ter visto, pode estar cansado demais, pressionado demais.
Sem dúvida, os argumentos para atitudes descabidas jorram por todos os lados, mas a soma deles com a pressão cada vez maior da vida moderna resulta numa situação nada produtiva. É preciso que cada um faça sua parte, respeitando as normas do bom convívio social.
É preciso que cada um reveja seu estilo de vida, driblando e minimizando o estresse rotineiro. É preciso encontrar um meio termo para apagar a chama desse pavio, pois o mundo parece prestes a explodir.