O grande mérito do novo disco dos irmãos Kiko, Leandro e Bruno Scornavaca, “KLB” (Columbia/Sony Music), é o fato de marcar uma nova fase na carreira do grupo, formado nos anos 90 e que, a partir de 2000, com o lançamento do primeiro disco ocupou um lugar de destaque na categoria “música para garotas adolescentes”.
Fazendo um trabalho primordialmente de interpretação, o KLB vendeu milhões de CDs cantando baladinhas românticas leves e versões de sucessos estrangeiros, principalmente dos Bee Gees, um grupo cujos vocais servem de referência sonora para os irmãos.
“Agora fizemos um disco que é 100% KLB. Gravamos sozinhos todas músicas, fizemos os vocais, todos os intrumentos e os arranjos”, diz Kiko, o mais velho dos três irmãos, que assina a produção do disco. A oportunidade de fazer tudo e, assim, tomar conta da própria carreira, surgiu quando o antigo produtor do trio, Piska, resolveu, como diz Leandro, “cair fora”.
Com um estúdio completo montado em casa, o KLB decidiu que não precisava de um substituto para a vaga. O resultado é um certo redirecionamento do trabalho dos irmãos que agora são, mais uma vez como define Leandro, “uma banda de verdade”. “Não gostávamos de algumas coisas que tínhamos que aceitar nos discos anteriores, como aquela coisa eletrônica. O KLB não é mais uma banda eletrônica”, explica o irmão “do meio”.
O CD mostra isso, o disco tem uma influência maior do rock tradicional, onde se percebe a presença dos instrumentos, principalmente a guitarra de Kiko. “O som agora está mais parecido com o que a gente faz ao vivo nos shows”. Outra novidade é a boa estréia de Bruno no vocal em “Carolina”. “Quando ouvi a música disse: ‘essa é minha, ninguém grava’”, diz.
Seria uma mudança completa se as letras do grupo não continuassem a ser destinadas às adolescentes românticas. Mais uma vez, Kiko entrou em ação e compôs metade das 12 canções do CD. “Falo de amor porque acredito no tema”, afirma. Com essa fé, o KLB deve continuar agradando as milhares de fãs que nem vão se importar se há uma guitarra a mais aqui ou ali.
Como banda de rock, o trio não surpreende. Primeiro porque o vocal de Leandro é sensível demais, feito para baladinhas e os arranjos são previsíveis. E as letras, bem. Só “passam” se você for uma adolescente daquelas que adoram berrar “lindo!” nos shows do Felipe Dylon, do Pedro e do Thiago...