Depois de anos e anos dedicados aos estudos, chega, enfim, o dia de vestir a beca, fazer o juramento e levar o diploma para casa. Muito mais que cumprir um ritual, a formatura representa um marco na vida das pessoas, um momento de
transição para toda a família.
Para os estudantes, a formatura significa entrar de vez na vida adulta. Para os pais, ela representa o dever cumprido, como se o filho estivesse finalmente pronto para ‘andar com as próprias pernas’.
“A sensação é de vitória, por termos conseguido proporcionar a perspectiva de um futuro melhor para elesâ€, comenta Deiva Pimentel dos Santos, cujo filho Denys acaba de se formar em Medicina.
Denys é o segundo a se formar e ainda falta uma filha, que se prepara para ingressar na faculdade. A mãe conta que até a formatura são longos anos de expectativa.
“Não é fácil manter um filho na faculdade, mesmo quando é uma instituição pública. Você tem aluguel, viagens, livros, transporte, alimentação. Toda a família tem de se mobilizar e adiar alguns projetos. Para os pais, a vida dos filhos é mais importante que a própria vida. E vale todo sacrifício para ver um filho felizâ€, completa.
Mas a psicóloga Daniela Gibin Duarte, especializada em Recursos Humanos, salienta que apesar da sensação de dever cumprido, o término da faculdade é um momento muito crítico na vida dos jovens, que trocam a vida descompromissada de estudantes pela vida responsável de um adulto. É um momento em que eles vão precisar ainda mais de compreensão e diálogo.
“A busca pelo primeiro emprego (pelo menos na área de formação) gera um grande medo no jovem. O medo de não conseguir entrar no mercado de trabalho, a insegurança de participar de um processo de seleção e não ser aprovado, o medo de não conseguir encontrar um emprego na sua área de formação são os grandes vilões da insegurança, confusão, frustração e até depressãoâ€, destaca.
Para a psicóloga e consultora organizacional Regina Maura Pereira Torres, o diploma continua sendo esse passaporte para uma carreira profissional, mas já não basta, como ocorria na época em que esses pais eram jovens. No mundo moderno, a formatura só representa o início de uma vida inteira de qualificação.
“Hoje, em qualquer profissão, seja técnica ou de nível superior, o profissional terá que ser um empreendedor (...) pessoas capazes de entender que competências pessoais são tão importantes quanto as técnicas, que a visão de mundo necessita ser ampliada, que a curiosidade por tudo o que o cerca e o que acontece no planeta é importante, pessoas criativas, com capacidade de negociação, com iniciativaâ€, descreve.
Segundo as especialistas, um bom nível de conhecimentos gerais, uma boa comunicação oral e escrita, dominar um segundo idioma e a informática e expandir conhecimentos são condições essenciais para quem quer ingressar e se manter no mercado de trabalho.
Mas há outras habilidades consideradas imprescindíveis para um bom profissional, como destaca Leila Navarro: brilho no olhar, integridade, coerência, flexibilidade para lidar com imprevistos, autoconfiança e autoconhecimento para tomar decisões e assumir riscos, intuição, capacidade crítica, liderança, empatia e até mesmo autocontrole para driblar situações difíceis de pressão, cobrança, estresse e hostilidade.