A “Tribuna do Leitor”, página 27, do JC de 5 do corrente, traz sugestão do advogado José Roberto Anselmo sobre o complexo ferroviário abandonado existente em Bauru e que já pertenceu à ex-EFS, CP e NOB.
Acredita ele que a solução seria “desviar linhas para fora do Centro da cidade”, aproveitando-se nos espaços para se construir praças, jardins, prédios públicos e avenidas que seriam como “corredores” entre bairros, acabando com o problema do Centro da cidade no que diz respeito ao trânsito de veículos.
Em se tomando essa providência, a cidade perderia evidentemente sua total identidade. É o mesmo que mudar o rosto de uma pessoa com todo seu passado.
Não é a primeira vez que sugestões como essa são apresentadas como solução para os problemas de tráfego na cidade, copiando-se o que foi feito em Araçatuba e, há pouco, em Campo Grande-MS, onde entre o quartel e a base aérea existiam nada menos de 30 passagens de nível, que não é problema em Bauru, muito embora com os trilhos das três ex-ferrovias.
Um bom exemplo e o mais certo a seguir seria copiar o que existe desde 16/2/1867 em São Paulo, quando ali chegou os primeiros trilhos da ex-São Paulo Rawlay, época em que a cidade tinha cerca de 30 mil habitantes. No início do ano 1900, a cidade contava com 289 mil habitantes (menos do que Bauru) e outros trilhos foram colocados para outras ferrovias, inclusive para bondes. No ano de 1954, São Paulo atingiu 2.500.000 habitantes e foi a cidade que mais cresceu no mundo e continuou a somar trilhos em sua área e nem assim, agora, consegue atender ao deslocamento da população, já que ao invés de apenas 60 km de metrô, além dos trens subúrbios, deveria ter mais 1.000 quilômetros de trilhos de metrô.
Outro exemplo é o de Paris, na França, onde cinco grandes estações, ligadas aos 655 quilômetros de metrô, fazem partir trens para outros países, como Espanha, Suíça, Bélgica etc., e não possui a cidade mais de 1.500.000 habitantes.
Se se fizesse as mudanças sugeridas em Bauru, a solução seria paliativa e alguns anos depois haveria necessidade de se pensar em trens de superfície, etc.
Não seria o caso de entrar em entendimentos com o governo federal para se estudar uma forma de implantação de trens de superfície, já que temos atualmente cerca de 25 quilômetros dentro do perímetro urbano?
O progresso viria e não haveria mudança de identidade na cidade e com os problemas de transportes de passageiros aumentado de forma conveniente.
Vivaldo Pitta - RG 6.028.556