Rural

Encontro incentiva agricultura regional

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

A principal idéia defendida pelos convidados do 1.º Encontro Regional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, realizado nesta semana em Bauru, foi a necessidade de incentivo à produção regional e ao agronegócio, para o desenvolvimento sustentável e a oferta de produtos com maior valor agregado, inclusive voltados para o mercado externo.

O evento, promovido pela Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, teve participação de membros de diversas pastas e coordenadorias do órgão, e contou com a presença de mais de 500 prefeitos eleitos, presidentes de conselhos municipais de desenvolvimento rural, engenheiros agrônomos, veterinários e agricultores dos municípios das regiões de Bauru, Lins, Tupã, Presidente Prudente, Assis, Marília, Ourinhos, Avaré, Jaú, Botucatu, Araraquara e Franca.

Para o titular da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), José Carlos Rossetti, que representou o secretário Duarte Nogueira no encontro, a participação ativa dos agricultores nos projetos regionais é um dos pontos mais importantes para a atuação do órgão e sucesso para a sustentabilidade da produção.

“Encontramos uma fórmula muito boa para trabalhar. São 304 mil propriedades rurais no Estado e é difícil atender toda essa demanda de forma individualizada. Hoje, temos um trabalho bom, com a municipalização (dos projetos) e o Cati entrando com a infra-estrutura”, comenta.

Ele ressalta também o acordo de empréstimo e financiamento mantido com o Banco Mundial, para a atuação nas regiões de microbacias. “Em parceria com os municípios, visamos a sustentabilidade da produção agrícola, para que o produtor consiga recuperar o meio ambiente e também sobreviver e produzir com qualidade”, aponta o coordenador da Cati.

O coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Luis Madi, concorda com a necessidade da organização e participação ativa dos produtores para o desenvolvimento da região. “Estamos falando de distribuição de renda e aumento de emprego, que só vai ocorrer com a organização dos grupos com a prefeitura e toda a sociedade, na busca do desenvolvimento e de uma produção melhor”, afirma.

Novos negócios

Para Madi, uma solução aos produtores rurais seria a busca por novos negócios, especialmente com produtos ainda não disponíveis no mercado. “O setor agroindustrial ainda não é forte na região, mas poderia se agregar a produtores e novas tecnologias desenvolvidas pelos institutos do Estado e a atuação dos pólos. Com isso, teremos condições para uma mudança de patamar, de produção de matéria-prima e também de produtos com maior valor agregado, inclusive visando a exportação”, indica.

O diretor do pólo regional Centro-Oeste da Apta, Marcelo de Almeida Silva, completa que a região de Bauru já está preparada para um novo momento no setor de agronegócio, e que a fruticultura tem o maior potencial de crescimento dentre as demais. “Já existe um grande direcionamento na cultura do maracujá, nos últimos dois anos. Para 2005, teremos mais pesquisadores e essa força do trabalho será multiplicada. Já estamos identificando as demandas para atuar de forma mais efetiva junto aos produtores”, revela.

Por outro lado, Silva esclarece que as culturas tradicionais da região que mantêm sua produção forte não devem ser descartadas. “Não é porque o café era importante na década de 1970 que ele precisa deixar de ser. Temos áreas ainda com muito potencial para cafeicultura, como Garça, Marília, Dois Córregos, Mineiros do Tietê e Torrinha. Queremos que o café tenha seu espaço, porque elas têm um potencial de clima e solo, assim como outras produções que conseguem se manter. Mas os produtores precisam realmente se unir para alcançar uma melhor produtividade”, conclui.

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