Tribuna do Leitor

"Eu passo"


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Já dizia o velho ditado que “é mais inofensivo um revólver nas mãos de São Francisco do que um canivete nas mãos de um pivete!”. Ainda assim a campanha do desarmamento com farto apoio de uma mídia quase sempre parcial e engajada que aqui em Bauru beira as raias de um circo montado ao som da banda da turminha dos direitos humanos, parece insistir que a violência parte de cidadãos honestos que devem entregar míseros "trinta e oitos", quase sempre herdados do pai ou do avô, como se fossem estas armas as responsáveis pela violência em sociedade ou impeditivas daquilo que o bem protegido sr. ministro Marcio Thomaz Bastos chama de uma “cultura de paz”! Aliás, neste quesito de estar e ser bem protegido por seguranças e carros blindados, duas coisas me chamam atenção entre os apoiadores do desarmamento civil tais como artistas de rock e tv e, é claro, políticos: como esta gente tem grana para comprar e contratar estes caríssimos serviços de blindagem e guarda-costas, não? Pois é!Assim até eu... No entanto, não obstante carro blindado e tudo mais, um destes garotos-propaganda (ironicamente um músico que pregava em suas canções a liberação da maconha) é uma vítima que infelizmente ficou paraplégico ao receber um tiro de um fuzil russo automatico AK-47, calibre 7.62 (que, vale dizer, não é vendido em loja) de um grupo de traficantes no Rio de Janeiro quando estes faziam uma “falsa blitz” em plena via pública; sendo que o seu erro foi o de reagir? Não! Ele estava armado e reagiu? Não! Seu “erro” foi apenas o de tentar fugir e de preservar o seu patrimônio! Mas isto curiosamente ele não conta na publicidade oficial onde pede a você, homem de bem, que entregue seu “revórvinho”, como se houvesse partido de um destes o tiro que o infelicitou e como se o autor do disparo fosse um cidadão honesto!

Convenhamos, cidadãos, que já se faz de bom tom para a sociedade brasileira acabar com a hipocrisia e raciocinar sobre a possibilidade bastante real de que o desarmamento civil possa se voltar negativamente em seus efeitos contra a cidadania (a exemplo do que já ocorreu em outros países onde foi adotado), mas paradoxalmente beneficiando quem primeiro deveria ser alcançado pelo estatuto do desarmamento, ou seja, os bandidos e não o homem de bem ...porque desarmar quem é honesto enquanto, com certeza, continuará armado por pura incompetência do estado os que, por exemplo, sequestraram durante mais de trinta dias um rapaz arrebatado em uma festa de família por apenas dois meliantes armados ,onde entre setenta pessoas de bem não havia uma só armada para resistir a este sequestro que poderia ter evitado que esta pobre vitima absolutamante esquecida pela alegre bandinha dos direitos humanos tivesse de tomar a própria urina para sobreviver, pois não lhe serviam água !!

Finalmente, a pergunta que faço a todos é a seguinte: se São Francisco entregar seu revólver, o governo me dará segurança publica efetiva e de qualidade, vinte e quatro horas por dia, e me protegerá do canivete que o “di menor” porta, isto é, se ele já não o trocou por uma reluzente pistola automática que por aqui entrou via “importrabando”, através de nossas bem policiadas fronteiras?!

Bom, até a resposta me convencer quanto ao desarmamento dos honestos cidadãos cumpridores da lei, eu digo, “obrigado”, mas eu passo! Grato!

Paulo Boccato - estudante de direito e atirador esportivo

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