Polícia

Cel. Eclair comandará PM no Estado

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 5 min

O coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, responsável pelo Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4), cuja sede é em Bauru, foi nomeado para o cargo máximo da Polícia Militar (PM) no Estado de São Paulo, o de comandante-geral. Ele assumirá a função no próximo dia 28 com a meta de, em dois anos, reduzir em 7% a criminalidade no Estado.

Com 50 anos, dos quais quase 32 trabalhando na PM, agora o coronel irá comandar todo policiamento urbano, rodoviário, ambiental e o Corpo de Bombeiros da Capital, Grande São Paulo e Interior do Estado. “São 94 mil homens, é uma grande empresa”, ressalta.

A nomeação de Eclair para o cargo foi divulgada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) ontem pela manhã, em São Paulo, durante solenidade de comemoração pelos 173 anos de criação da Polícia Militar no Estado. “Fui convidado e aceitei. É um desafio muito grande, é toda uma equipe, mas vou dar continuidade à política de trabalho implantada pelo atual comandante da PM (coronel Alberto Silveira Rodrigues), que é de uma reengenharia, à qual apoiei”, ressalta.

Ele explica que reengenharia é a reestruturação - tanto de recursos humanos quanto recursos materiais - seguindo critérios técnicos para melhor aproveitar o efetivo e descentralizar o comando de policiamento e aprimorar a forma de gestão. “Hoje, existem critérios que definem quantos policiais uma cidade precisa ter”, frisa ele que afirma que não há necessidade de aumentar o efetivo do Estado. “O que falta é redimensionar”, diz.

O modelo de gestão adotado atualmente, que determina o tipo de policiamento conforme a característica do local, é fundamental para a redução da criminalidade, acredita Eclair. “O policiamento escolar, por exemplo, tem quase 1.100 viaturas em todo Estado específicas para isso e é um sucesso. O policiamento integrado, adotado em locais de grande fluxo de pessoas, durante o dia, dá sensação de segurança. Já a Força Tática, é específica para pegar bandidos”, exemplifica.

O primeiro reflexo da política de reestruturação da PM é o desdobramento do CPI-4 em dois (leia mais ao lado) anunciado ontem. “Essa reengenharia e o modelo de gestão têm um objetivo, que é reduzir a criminalidade”, ressalta Eclair.

Com essas medidas, ele acredita que será possível reduzir em 7% a criminalidade em todo Estado até 2006. Em Campinas, conta, o índice de criminalidade caiu após a descentralização do policiamento com a criação de mais dois batalhões - era apenas um.

Atualmente, afirma, o furto é o crime que mais preocupa em todo Estado pela incidência. Estatística da polícia referente ao último trimestre, mostra que foram registrados 168.148 furtos em todo Estado (veja mais no quadro ao lado). Apesar de em Bauru o número de homicídios neste ano já ter superado o total do ano passado, Eclair afirma que no Estado está sendo registrada queda.

“No Estado, a redução é de cerca de 20%. Bauru tinha um índice baixo e agora está se aproximando da média do Estado”, sustenta Eclair. A Capital, pela incidência de crimes, é a região que mais preocupa, diz. Com a posse de Eclair no comando da PM, o cargo de comandante do CPI-4 será ocupado pelo atual subcomandante do órgão, coronel Roberto Antônio Diniz, que já está no função há alguns meses.

CPI-4 é dividido

O Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4), que atualmente abrange 173 municípios do Centro-Oeste do Estado de São Paulo, foi desmembrado. Ontem, durante a solenidade de comemoração pelos 173 anos da Polícia Militar no Estado de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou a criação de mais um CPI, o de Presidente Prudente.

Denominado CPI-8 (o oitavo do Interior do Estado), o órgão ficará com 86 dos 173 municípios do CPI-4. “O CPI-8 terá três batalhões e ficará responsável pelo policiamento das regiões de Presidente Prudente, Dracena e Presidente Venceslau”, explica o coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, comandante do CPI-4 e que ontem foi nomeado pelo governador comandante-geral da PM no Estado. (IR)

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Currículo inclui ‘Bombeiros’

Nascido em Pederneiras, Elizeu Eclair Teixeira Borges formou-se oficial da PM pela Academia do Barro Branco e atuou como bombeiro por três anos. Posteriormente, tornou-se instrutor da academia e, aproveitando a experiência de engenheiro, trabalhou na Defesa Civil, no Palácio dos Bandeirantes. Ainda na Capital, trabalhou no policiamento urbano e de trânsito.

Após 25 anos na Capital, Eclair retornou para Bauru em 1999 como tenente-coronel e assumiu o 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior. Em 2001, foi promovido a coronel e assumiu o Comando da Zona Sul (região do Jardim Ângela e Capão Redondo), na Capital. “Era uma região de alta incidência criminal, uma área difícil. Acredito até que a minha indicação para o cargo de comandante-geral da PM se deve ao modelo de gestão que implantei no Comando da Zona Sul. Fizemos uma reengenharia do policiamento e hoje os índices de criminalidade lá são bem menores”, analisa. Foram criados novos batalhões e companhias.

Em março de 2003, Eclair retornou para Bauru para assumir o cargo de comandante do CPI-4. “Achei que eu iria me aposentar aqui, mas agora surgiu o convite e aceitei”, frisa sem esconder a alegria. Ele assume o cargo no lugar do coronel Alberto Silveira Rodrigues, que passará para a reserva compulsoriamente por já estar no posto de coronel há cinco anos, em obediência às normas da PM.

Como Eclair já é coronel há dois anos e meio, ele poderá ficar no cargo por igual período antes de se aposentar. “Eu tenho condições de completar o governo Alckmin”, frisa. (IR)

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