A festa de Natal é essencialmente aquela que comemora o nascimento de Jesus. Para os que acreditam na mensagem de Cristo é um período de espiritualidade, de oração, de paz no convívio familiar, de abraços e sorrisos junto à comunidade.
Aos poucos, a festa perdeu suas origens; o comércio, a mídia, o consumismo tomou seu espaço.
O Natal, hoje em dia, para grande parte das pessoas, é uma época de estafa, de azáfama, de correrias, de obrigações penosas de comprar, com uma lista na mão, dezenas de presentes. As pessoas se irritam, queixam-se, praguejam, sofrem com as lojas cheias, as calçadas à cunha, o trânsito difícil e por cima de tudo isso, estação das chuvas e do calor...
O presépio instituído por Francisco de Assis foi esquecido e substituído pela germânica e nórdica árvore de Natal, com o pobre pinheiro cortado do chão fértil, para morrer poucos dias depois, com os grotescos flocos de algodão, querendo lembrar neve, no nosso tórrido País tropical.
Mas ao invés de tudo isso, há pessoas que sabem viver a origem cristã do Natal e ao invés de toda essa balbúrdia põem em suas casas uma grande caixa, onde seus freqüentadores colocam alimentos, refrigerantes, doces, caixas de leite, brinquedos, roupas e no dia 25 essa caixa é levada para uma família bem pobre, que certamente não tem nenhum motivo de festa no seu barraco.
As famílias que agem assim, sentem-se com o direito de ter um Natal festivo, rodeados de amigos sem estafas, sem cansaços inúteis, sem gastos supérfluos. E lá longe, na periferia, pessoas estão sorrindo, diante de tanta inesperada fartura, felizes, com Cristo presente à mesma mesa.
Adelaide Reis de Magalhães, escritora e colaboradora de Ju Machado escritório de arte