A Campanha da Fraternidade-2004 ainda não terminou. Deflagrada em fevereiro, prossegue com todo vigor, porque tem um objetivo que as anteriores não tiveram: preocupação séria com a água! E água de todos os volumes e variedades, principalmente as potáveis, ingeríveis por seres humanos ou não. Mas a preocupação não se assenta unicamente na qualidade e, sim, na quantidade porque em muitas partes do mundo o precioso líquido vem escasseando abusivamente, começando a gerar sério problema, porque aproximadamente 1,2 bilhão de pessoas não tem água potável para beber e 2,4 bilhões não possuem serviços sanitários adequados, enquanto a cada ano 2 milhões de crianças morrem em função de doenças causadas por líquido contaminado. E como é a anomalia no tocante aos pobres mais pobres? Uma em cada cinco crianças desfalece antes dos 5 anos em conseqüência de enfermidades relacionadas à falta e ao tipo do líquido. Na África, mais de 5 milhões morrem anualmente por deficientes acesso e outros 12 países estão ameaçados no seu direito ao manancial por carência de empréstimos do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.
No Brasil faz-se alguma coisa para levar água suficiente a todos os pontos, inclusive Nordeste, para onde pretende o Governo desdobrar o Rio São Francisco, desviando dele um novo braço a fim de que não continue faltando água em Estados como Alagoas, Ceará, Maranhão, Piauí e Pernambuco, gerando um novo tempo na história do líquido, uma providência que se impõe, urgentemente, na esfera da ecologia nacional, que não pode continuar indefinidamente sem os cuidados dos poderes públicos, antes que os brasileiros venham a ficar sem o bem do qual ninguém pode prescindir para não morrer de sede, até porque, conforme destaca uma revista, “nenhum interesse de ordem política, de mercado ou de poder pode sobrepor-se às leis básicas da vida”, na principal das quais figura a preocupação com o bem-viver do próximo. E não é possível ter-se uma existência assentada nos melhores alicerces sem a sua principal matéria-prima, a água! (Não é somente nossa a opinião).
O autor, Nadyr Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“Que você não perca a vontade de ter grandes amigos mesmo sabendo que, com as voltas do mundo, eles acabam indo embora sem você perceber”.