Quando tocou violão pela primeira vez, no início da década de 30, o músico Joaquim Carmello Grillo, 91 anos, já sabia seu destino: a dedicação integral às melodias. E não parou mais. Em 1932, passou para o cavaquinho e depois para o banjo. Voltou para o violão popular, e em 1936, descobriu o gosto pelo clássico.
“Tinha 22 anos quando me apaixonei pela música”, recorda Carmello. Nascido em Agudos, ele se mudou para Bauru com 9 anos. Autodidata, estudou música popular e clássica - mas se especializou no último gênero. Na década de 40, tocou na famosa Orquestra Tâmbara. Acompanhou grandes nomes como Orlando Silva, Silvio Caldas, Gilberto Alves, Cascatinha e outros.
Carmello também é compositor. É autor das músicas instrumentais “Mazurquinha” e “Brincando de Seresta”. O gosto pela música clássica o incentivou a dar aulas. Nos anos 50, deu início à primeira turma de aprendizes de clássicos de Mozart e Bethoven, entre outros mestres. “Pouca gente estuda o clássico”, aponta o músico, que atualmente conta com uma classe de dez alunos.
Este ano, Carmello comemora 70 anos de carreira. No mês passado, ganhou um presente de seus “pupilos”, uma audição de piano realizada na Instituição Toledo de Ensino (ITE). Organizado por uma de suas ex-alunas, a professora de piano Sandra Tiritan, o evento apresentou pérolas de Ary Barroso e Tom Jobim, além de outros clássicos.
A homenagem fez jus ao talento de Carmello, que festeja as sete décadas de experiência com humildade. “A música para mim é terapia. Estou sempre estudando e jamais vou parar de tocar”, diz.