Política

Liberação da Ayrton Senna ficará para próximo governo

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Interditada desde janeiro de 2003, a ponte Ayrton Senna não será mais liberada ao tráfego até o final deste ano, como previa a atual administração. Com isso, caberá ao prefeito eleito Tuga Angerami (PDT) finalizar os trabalhos de recuperação da estrutura, que dependem da liberação de R$ 234 mil para a realização de um serviço conhecido como aterro envelopado.

Curiosamente, a construção da ponte foi possível graças a uma emenda ao orçamento da União apresentada por Tuga em 1990, quando ele exercia o cargo de deputado federal. A verba de R$ 300 mil foi liberada oito anos depois e suplementada com recursos municipais. No total, foram investidos R$ 491 mil na obra.

Pouco mais de dois anos após sua inauguração, a ponte precisou ser interditada devido a problemas estruturais. A reforma teve início em abril e consumiu até o momento R$ 233.119,84.

Segundo o secretário municipal de Obras, José Ângelo Padovan, cerca de 98% da reforma está concluída, mas a finalização do aterro das duas cabeceiras da ponte exigirá R$ 234 mil, praticamente o mesmo valor que foi gasto com a recuperação da estrutura de concreto.

O aterro envelopado foi uma exigência do perito responsável pela reforma e consiste na instalação de camadas de tela sintética que têm a função de diminuir o impacto que o peso da terra provoca nas paredes da ponte. “É um serviço que demora cerca de 15 dias, mas que depende de recursos”, lamenta.

A ponte Ayrton Senna liga a região do Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1. Uma estrutura provisória de madeira foi construída após a interdição para permitir a passagem de pedestres, ciclistas e motociclistas, mas acabou sendo destruída pelas chuvas que atingiram Bauru há duas semanas.

Padovan explica que uma nova passagem provisória está sendo feita no local, desta vez com capacidade para suportar veículos de pequeno porte. Ela ficará ao lado da ponte de concreto e a previsão é que esteja pronta dentro de 10 dias. Por enquanto, os pedestres utilizam tábuas de madeira para cruzar o rio Bauru.

Outras obras

A reforma da ponte Ayrton Senna não será a única obra que a atual administração deixará de entregar. A duplicação de um trecho de 400 metros da avenida Comendador José da Silva Martha também está suspensa por falta de recursos. Padovan conta que ficaram faltando as guias, sargetas e a pavimentação.

Além disso, a reforma da avenida Rodrigues Alves também ficou comprometida. A intenção do secretário era recuperar o asfalto de todo o trecho da via localizado na região central da cidade, mas apenas três quadras foram recapeadas.

A pavimentação de ruas de terra do Parque Jaraguá, viabilizada por um convênio com o governo estadual, é outro serviço que será finalizado apenas no próximo ano.

A prefeitura recebeu R$ 300 mil para executar a obra e se comprometeu a investir 25% desse total como contrapartida. Caso os recursos não sejam utilizados corretamente, o município corre o risco de ser incluído no cadastro de inadimplentes do governo estadual.

Anunciado como uma das prioridades da administração municipal em 2004, o projeto de asfalto comunitário também não deslanchou. As três empresas que venceram a licitação ficaram responsáveis pela pavimentação das quadras de terra, desde que pelo menos 75% dos moradores aceitassem pagar pelo benefício. Até o momento, nenhuma rua foi asfaltada.

Para Padovan, a promessa de pavimentar vias gratuitamente feita por alguns candidatos a prefeito prejudicou o processo de adesão dos moradores. Além disso, ele acredita que muitas pessoas ainda não se conscientizaram da necessidade de pagar pelo asfalto.

O secretário avalia que sua gestão, iniciada em abril, também teve aspectos positivos. Ele destaca, por exemplo, a duplicação da avenida Luiz Edmundo Coube, feita em parceria com o governo estadual.

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