Bairros

45% dos idosos são arrimo de família

Ieda Rodrigues (com Da Redação)
| Tempo de leitura: 3 min

Pela faixa etária, eles deveriam estar descansando e recebendo a ajuda dos filhos. Mas em Bauru, das pessoas com mais de 60 anos e que têm renda, 45% contribuem com mais de 50% dos gastos da família, inclusive filhos seguindo a tendência do Brasil, de que 27% dos idosos são responsáveis por mais de 90% do rendimento familiar. Os dados fazem parte dos “Indicadores Sociais Municipais - uma análise do Censo Demográfico 2000”, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou anteontem.

O estudo aponta que, em 2000, em Bauru, 59,6% das pessoas com mais de 60 anos (10,5% da população de 316.064 pessoas no município), eram aposentadas, 14,7% eram pensionistas e 16,2% estavam empregadas. Desse total de idosos com renda, 28,3% contribuíam com mais de 90% do orçamento familiar e 16,7% arcavam com 50% a 90% dos gastos totais da família.

É o caso de Laércio Folcato, 65 anos. Comerciário aposentado desde 1991, atualmente ele e a mulher, também aposentada, são responsáveis por todas as despesas da casa e ajudam a filha já casada. “Meu filho mora comigo e trabalha, mas as contas quem paga sou eu e minha esposa”, afirma.

O dinheiro da aposentadoria também chega à neta. “Como minha netinha tem diabetes e meu genro está desempregado, eu ajudo minha filha na compra de alguns remédios”, conta. A mesma situação se repete na casa do ferroviário aposentado Epaminondas Palmeira, 77 anos. Ele mora com a esposa e o filho de 44 anos, que está desempregado.

Além das despesas da residência, ele contribui para pagar as contas de sua filha casada e mãe de dois filhos, que também está à procura de emprego. “Eu e minha mulher sustentamos nosso filho e ajudamos minha filha quando ela precisa de alguma coisa”, afirma Palmeira.

Sobre o alto índice de pessoas com mais de 60 anos que são arrimo de família, além do desemprego, o economista Reinaldo Cafeo lembra que muitos, até porque aposentaram-se cedo devido à legislação previdenciária anterior a dezembro de 1998, têm outra ocupação no mercado formal ou informal para complementar a renda. “Em Bauru, por ter sido um forte pólo regional do setor público, muitos aposentados têm fundo de pensão além da previdência oficial”, comenta.

Também é preciso considerar, diz Cafeo, que a expectativa de vida da população cresceu e muitos aposentados casaram-se novamente. “Eles formaram novas famílias e sustentam os filhos mais jovens. E além disso, o Estatuto da Criança e Adolescente proibiu o trabalho do menor de 14 anos de idade, aumentando a dependência dos filhos em relação aos pais”, diz.

Cafeo lembra ainda que os pais modernos, principalmente os da classe média, estão fazendo todo o possível, até aumentando jornada de trabalho, para que os filhos se dediquem exclusivamente aos estudos. “Hoje, o jovem está entrando no mercado de trabalho mais tardiamente”, completa.

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Entre os aposentados, a maioria é homem

O estudo do IBGE aponta que entre a população aposentada em Bauru, a grande maioria é masculina (79,3% são homens e 44,9% mulheres). Já quando o rendimento analisado é pensão, a situação se inverte. Entre os pensionistas, 22,5% são do sexo feminino e apenas 4,3% do sexo masculino.

Para o advogado trabalhista-previdenciário Faukcefres Savi, os números não surpreendem. “Como o percentual de homens que trabalham fora é maior, há mais aposentados por tempo de contribuição”, diz. Ele não descarta a possibilidade de, futuramente, aumentar o percentual de mulheres aposentadas, por conta do crescimento do sexo feminino no mercado de trabalho.

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