Polícia

Jovem confessa ter matado por R$ 10,00

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru esclareceu ontem mais um homicídio ocorrido no ano de 2004 na cidade, elevando para 75% a porcentagem de casos encerrados no ano. O servente de pedreiro Fábio Pereira da Silva Santos, 21 anos, confessou ter matado o estagiário de editoração gráfica Gustavo Vinícius de Oliveira, 19 anos, no dia 17 de novembro passado.

O crime, que abalou a população, foi cometido por motivo fútil, segundo o réu confesso. “Ele não quis me devolver R$ 10,00, troco do pagamento de uma partida de sinuca”, disse.

A história contada pelo servente de pedreiro, que passou quase 15 dias foragido, seria simples se não envolvesse a vida de um jovem de 19 anos. “Eu não conhecia o Gustavo. Ele estava no bar e nós jogamos sinuca. Na primeira partida, não apostamos. Na segunda, apostamos R$ 10,00 e ele ganhou”, conta.

O servente afirma que pagou a aposta com uma nota de R$ 20,00. “Pedi para ele devolver os R$ 10,00 e ele recusou. Discutimos, mas um amigo dele entrou na briga e separou. Quando ele foi embora, eu fui atrás, queria meu dinheiro. Não era justo o que ele estava fazendo”, argumenta

Os dois voltaram a discutir. “Eu peguei um pedaço de madeira e dei um golpe na cabeça dele. Ele caiu desacordado e eu continuei a bater. Larguei ele lá (em um terreno na Vila Santista) e fui embora para Arealva, para casa de meu cunhado, onde fiquei por três dias”, disse na delegacia ontem.

No dia seguinte, o rapaz ligou para a esposa e soube que Gustavo havia morrido. “Meu cunhado me levou para São Paulo, onde fiquei até perto do Natal, quando resolvi retornar”.

Preso na zona rural

Desde o dia do crime, a DIG trabalhava nas investigações para identificar e encontrar o autor, comenta o titular, delegado J.J. Cardia. “Na madrugada de hoje (ontem) fomos para um sítio em Arealva, onde o irmão do servente de pedreiro é caseiro e ele poderia estar, mas não o encontramos”, relata Cardia.

Uma outra pista que surgiu na madrugada foi seguida pela equipe de investigação. “Ele foi encontrado em uma fazenda na rodovia Bauru/Ipaussu, por volta das 9h de ontem. Santos estava em uma casa sozinho. Ele foi preso por força de um mandado de prisão”, diz.

'Vou pagar pelo que fiz'

O servente de pedreiro Fábio Pereira da Silva Santos, 21 anos, confessou o crime sem demonstrar qualquer arrependimento. “Não me arrependo. O que ele estava fazendo não estava certo. Eu pedi o troco numa boa e ele se recusou a dar. Nós tínhamos bebido. Vou pagar pelo que fiz e pronto”, frisou.

Santos já tinha passagens pela polícia. “Eu já puxei cadeia por tentativa de homicídio e respondi por porte e uso de entorpecente. Agora vou responder por homicídio”. A pena para o crime é de reclusão que varia de 12 a 30 anos, por ter sido cometido por motivo fútil e por ter impedido a defesa da vítima.

Como foi o crime

Na manhã do dia 17 de novembro, policiais militares encontraram o corpo do estagiário de editoração gráfica Gustavo Vinícius de Oliveira, 19 anos, com ferimentos graves na cabeça e sem vida. Posteriormente, o laudo apontou como causa da morte, traumatismo craniano.

O crime do jovem aconteceu no cruzamento das ruas Rafael Nicolau Martins Olivares e Ezequiel Vieira Âmbar, Vila Santista, próximo ao local onde ele morava com sua família. A Polícia Cívil, através do 1.o Distrito Policial, instaurou inquérito para apurar a autoria do assassinato. No local do crime o delegado Ronaldo Divino, titular do DP, apreendeu dois pedaços de madeira, um deles sujo de sangue.

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