Polícia

Região tem 2º descarrilamento de vagões-tanque em três dias

Da Redação
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A região de Bauru já aparece neste início de ano com destaque nos registros de acidentes ferroviários, com duas ocorrências semelhantes em apenas três dias. Ontem, por volta das 14h30, oito vagões-tanque carregados de óleo diesel de uma composição da Novoeste descarrilaram num trecho entre a estação Val de Palmas e o distrito de Nogueira, em Avaí (39 quilômetros a noroeste de Bauru). Dos oito vagões atingidos, seis descarrilaram e dois tombaram completamente. Ninguém ficou ferido.

No domingo, parte de uma composição da Ferroban também saiu dos trilhos nas proximidades de Toledo, distrito de Botucatu (100 quilômetros a sudeste de Bauru). Na ocasião, dos sete vagões envolvidos no acidente, dois explodiram e pegaram fogo. Em ambos os casos, os trens saíram de Paulínia com destino a Campo Grande.

Ao contrário do acidente em Toledo, o de ontem à tarde em Nogueira não teve qualquer princípio de incêndio. Também não teria causado grandes danos ambientais, segundo a empresa, porque despejou pequena quantidade de combustível. Segundo José Roberto Walker, assessor de imprensa da Brasil Ferrovias (holding que controla as empresas Novoeste, Ferroban e Ferronorte), houve apenas um vazamento, com duração de 40 minutos, com derramamento de 60 a 80 litros de óleo diesel.

Os trabalhos de recuperação da via permanente danificada no acidente e de transbordo do combustível dos vagões tombados (60 mil litros em cada) tiveram início ontem mesmo e, segundo previsão da Novoeste, a linha estaria liberada já na madrugada de hoje. Walker disse que as causas do acidente só serão conhecidas dentro de 15 a 20 dias, após a conclusão do laudo pericial.

Para o presidente do Sindicato dos Ferroviários de Bauru, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Roque Ferreira, acidentes deste tipo comprovariam a falta de investimentos das empresas concessionárias na manutenção da via permanente e do material rodante. “Isso é muito ruim, pois destrói um patrimônio do País, já que vagões e via permanente continuam sendo propriedade da Rede (Ferroviária Federal)”, diz o sindicalista.

Outro fator que reforça a tese da falta de investimento em manutenção, na avaliação de Ferreira, é o alto índice de acidentes no sistema ferroviário brasileiro - um descarrilamento em média por dia, segundo dados da entidade sindical. “Este índice já foi maior e só diminuiu em 2004 porque a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) precisou intervir, cobrando das concessionárias uma melhor manutenção do sistema, impondo limites de velocidade e até proibindo a circulação do carregamento de combustível durante a noite”, diz.

A assessoria de imprensa da Brasil Ferrovias reconhece que a linha férrea da Novoeste “não está nas melhores condições”, mas lembra que a empresa já definiu um investimento para este ano da ordem de R$ 80 milhões para recuperação da malha no trecho entre Bauru e Campo Grande. Segundo José Roberto Walker, este investimento teve início no ano passado, com aporte de R$ 15 milhões.

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