Regional

Aposentado simula seqüestro em Garça

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Garça - A primeira denúncia de seqüestro registrada pela Polícia Civil de Garça (73 quilômetros a oeste de Bauru) não passou de uma farsa. Depois de passar uma semana em “cativeiro”, o aposentado William Matsumoto, 65 anos, reapareceu na segunda-feira passada.

Em depoimento à polícia local, ele não conseguiu sustentar a farsa e acabou confessando que simulou o seqüestro para escapar de uma suposta “prestação de contas” com um outro parente. Enquanto esteve fora, Matsumoto ficou hospedado em um hotel de Ourinhos. De lá, ele mantinha contato direto com a esposa em Garça para dizer que havia sido seqüestrado por engano e que estava bem, apesar do “cativeiro”.

Em momento algum houve pedido de resgate. Isso chamou a atenção da polícia, que passou a trabalhar com a hipótese de seqüestro simulado. Mas como não havia nenhum dado concreto que confirmasse essa suspeita, a Polícia Civil de Marília e de Ourinhos foram mobilizadas na tentativa de solucionar o crime.

Tudo teria começado no dia 27 de dezembro. Matsumoto saiu de casa, no Jardim Paulista, em um Gol azul, por volta das 8h30, dizendo que voltaria para almoçar, mas não voltou. No mesmo dia, ele entrou em contato com a esposa para dizer que havia sido seqüestrado por engano em Marília.

A polícia foi avisada e descobriu-se mais tarde que havia sido feito um saque de R$ 800,00 da conta da suposta “vítima” naquele dia. O carro, no entanto, foi localizado estacionado na Praça Pedro de Toledo, no Centro de Garça. No dia seguinte, o delegado Valdir Tramontini descobriu que o aposentado havia ido de ônibus para Marília.

Sem resgate

Os dias se passaram, não foi pedido resgate, e na segunda-feira passada ele ligou para a família para dizer que estava sendo solto. Por métodos que a polícia não revela quais, foi descoberto que Matsumoto estava em Ourinhos.

Quando ele ligou dizendo que seria “libertado”, o delegado Tramontini entrou em contato com a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ourinhos e pediu para que os policiais fossem até o Terminal Rodoviário e tentassem encontrar uma pessoa com as características de Matsumoto tentando embarcar em algum ônibus.

A operação deu resultado e a “vítima” foi localizada no terminal de Ourinhos. O aposentado foi levado para a delegacia da cidade, onde ficou aguardando a chegada do delegado Tramontini.

De início, Matsumoto confirmou o seqüestro, mas não sabia dar detalhes do que havia acontecido. Em Garça, diante de algumas contradições, ele acabou confessando a farsa. O delegado contou que no dia em que o aposentado foi localizado na rodoviária ele carregava no bolso R$ 520,00 e dois bilhetes de loteria datados em 30 e 31 de dezembro, quando ele já estava em “cativeiro”

“Desde o início, estávamos desconfiados, mas independente disso realizamos todas as diligências”, comentou Tramontini.

Matsumoto, segundo a polícia, responderá por falsa comunicação de crime, cuja pena pode chegar até seis meses de detenção.

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