Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

• Emergência!

A surpreendente decretação de estado de emergência pela Emdurb para a coleta do lixo de Bauru, a demissão de servidores e a contratação de uma empresa privada - sem licitação - para responder pelo serviço mobiliza vereadores, o Sindicato dos Servidores e já causa na população reações de rejeição pela forma como o processo foi conduzido, sem uma causa aparente, explicações claras e convincentes e numa avidez preocupante.

• Lixo do passado

Uma iniciativa dessa magnitude, ou seja, a terceirização, para futura privatização, de um setor vital para a cidade como esse - que está em pleno funcionamento e sem reclamações -, não pode ser decidida desta maneira, sem razões sólidas e sem se esgotar os diagnósticos do problema. Pelo menos nada disso veio a público, lembrando, de certa forma, um passado recente que a cidade procura sepultar.

• Descompassado

A surpresa do anúncio reside no fato de que o rótulo de “emergência” não tem sintonia alguma com a realidade, pelo menos a da população, que tem o lixo coletado três vezes por semana, normalmente. A direção da Emdurb alega sucateamento da frota. Há contestações por parte de funcionários e ex-dirigentes da empresa, que admitem problemas sérios com os caminhões, mas que não fazem parar a coleta nem prenunciam colapso no sistema.

• Mexendo no latão

Por ora, falta argumento razoável para a alegada excepcionalidade e uma cisão como esta. Há uma enorme boa vontade e aplausos da população para inúmeras ações saneadoras que estão sendo adotadas em todos os setores da prefeitura. Mas boa vontade não é nem será sinônimo de miopia e conformismo.

• Já contratada

Algumas horas após o anúncio da desmontagem do sistema coletor de lixo da cidade, chegou ao jornal a informação de que foi contratada uma empresa de nome Marquise. Renato Purini, presidente da Emdurb, político jovem e merecedor de crédito, tem o final de semana inteiro pela frente para refletir sobre as repercussões deste ato e os cenários nada favoráveis que podem se desenhar. Com certeza a cidade, antes de aceitar, vai querer discutir, e muito, com profundidade, atos desta natureza.

• Prática antiga

A recente decisão da presidência da Câmara Federal, de reajustar a verba de gabinete de cada deputado (de R$ 35 mil para R$ 45 mil) e de criar mais cinco cargos de confiança para cada um expõe um divórcio inaceitável entre aquela Casa de Leis e a realidade vivida pelo País e sua população. Discursos antes cheios de moralismo hoje são usados para tentar justificar medidas velhas e repudiadas como esta.

• Língua cortada

Em outro lado da Capital Federal, alguém do governo teve a infeliz idéia de banir o peso eliminatório da língua inglesa nas provas para carreiras diplomáticas. Agora, os testes de inglês servem apenas para contar alguns pontos a favor de quem souber o idioma. Imagine-se um diplomata brasileiro negociando alguma coisa com qualquer representante de outro país sem saber inglês, língua universal em diplomacia. Será que governar é o ato de cortar a esmo?

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