Marília - A primeira rebelião da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Marília (100 quilômetros a oeste de Bauru) durou 9 horas e deixou a unidade completamente destruída. Todos os colchões foram queimados, as instalações elétricas e telefônicas ficaram danificadas e todas as fichas dos internos foram queimadas, entre outros prejuízos provocados pela ação dos menores.
Desde sua inauguração, há quatro anos, a unidade nunca havia enfrentado uma revolta nessas proporções. Em meio à destruição, os internos se armaram com pedaços de pau e barras de ferro, com os quais agrediram dois agentes de pátio. Um deles foi golpeado na cabeça e o outro teve escoriações no braço. Segundo a instituição, nenhum menor ficou ferido.
A rebelião começou por volta das 20h30 de anteontem. Segundo relato da assessoria de imprensa da Febem, a confusão teve início após uma tentativa frustrada de fuga. Um grupo de aproximadamente dez menores tentou render alguns funcionários e sair pela porta da frente da unidade, mas o local foi cercado por vigilantes com cães.
Em protesto, os menores pegaram quatro funcionários como reféns. Teve início uma série de negociações e a rebelião foi encerrada por volta das 5h, com a libertação dos funcionários. Os que estavam feridos foram atendidos na enfermaria da própria unidade e passam bem, segundo a instituição.
De acordo com a assessoria, os menores não fizeram nenhuma reivindicação. Eles queriam apenas sair da unidade. A assessoria informou ainda que não existe nenhuma punição prevista para os menores que tentaram fugir. “A nossa obrigação é tentar mostrar para eles que fugir não ajuda em nada. Eles têm mais é que estudar, fazer os cursos profissionalizantes e ir embora apenas quando o juiz determinar”, disse a assessoria.
Depois de controlada a rebelião, os funcionários da Febem iniciaram uma revista dentro da unidade, acompanhados de perto por policiais militares. O tenente Alfredo Inácio de Godoy disse que os policiais “não encostaram a mão em nada”.
Segundo ele, a presença da Força Tática da PM, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Rodoviária Estadual serviu apenas como apoio aos funcionários. Nenhuma arma foi encontrada, segundo a instituição.
A Febem de Marília tem atualmente 78 internos. Só não participaram da rebelião os 13 menores que estavam na Unidade de Internação Provisória. Os demais partiram para a destruição. A unidade fica às margens da rodovia Rachid Rayes (SP-333), entre Marília e Assis, e é destinada a abrigar apenas menores infratores de 47 municípios da região de Marília.