Política

PT afirma que foi esquecido por Tuga

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de apoiar o então candidato a prefeito Tuga Angerami (PDT) no segundo turno das eleições de outubro, o PT não vem participando do novo governo municipal e deve oficializar, nas próximas semanas, o rompimento oficial com a atual administração. A ausência de petistas entre os 18 membros que compõem o primeiro escalão da atual administração é mais um indicativo que aponta para esse caminho.

Os petistas reclamam que não foram convidados sequer para fazer parte das discussões que levaram à elaboração do plano de trabalho que começou a ser implantado em Bauru há um mês. “Não houve, por parte do governo, nenhum interesse em conversar com o PT a respeito de nada”, lamenta o vereador José Carlos Batata, representante do partido na Câmara Municipal.

O parlamentar anuncia que a direção municipal do PT pretende se reunir ainda este mês para avaliar a questão. “A nossa executiva tomará, inclusive, uma posição política em relação ao novo governo”, destaca.

O distanciamento entre os petistas e o governo Tuga já pôde ser notado durante o processo de eleição da Mesa Diretora do Poder Legislativo. Desde o início, Batata apoiou o candidato Toninho Garmes (PSDB), ligado à oposição.

O vereador garante que o fato do partido não ter indicado nomes para o primeiro escalão da administração municipal não é o motivo que provocou a mágoa dos petistas. “Nós discutimos base administrativa e de governo, e não cargos”, afirma Batata.

Segundo ele, as lideranças bauruenses do PT continuarão defendendo os interesses da cidade em Brasília mesmo se o rompimento for concretizado, mas faz uma ressalva. “É evidente que a nossa posição política ficará muito clara perante o governo federal”, adverte.

O chefe de Gabinete da prefeitura, Paulo Sérgio Canalli, afirma que o PT não foi desprestigiado. “Conversamos com todos os partidos que integraram o nosso leque de forças e eles foram unânimes em dizer que o Tuga ficaria livre para montar a equipe que entendesse ser a ideal para administrar a cidade”, argumenta.

Canalli diz que o atual governo espera continuar contando com o apoio dos petistas. “Isso seria importante não só para a administração municipal, mas para o momento que a cidade vive. É preciso resgatar a dignidade do bauruense e nós temos que unir forças. Torcemos para que todos os partidos compreendam essa situação e nos ajudem”, destaca.

Essa não é a primeira vez que petistas e pedetistas se estranham. A presidente municipal do PT, Estela Almagro, esteve cotada para ser a candidata a vice-prefeito na chapa de Tuga. Quando os entendimentos indicavam um final feliz, os dois partidos romperam.

Na época, o PT decidiu pela candidatura própria e o PDT coligou com o PMDB, lançando o nome do então presidente da Câmara, Renato Purini, para ser o candidato a vice-prefeito.

Mapeamento

Logo após vencer as eleições, Tuga anunciou que a composição de seu governo seria predominantemente técnica, deixando as questões partidárias em segundo plano. A análise dos nomes que integram o secretariado aponta que a promessa foi cumprida. Dez dos 14 titulares de pastas não têm histórico de militância política.

As exceções são o secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, candidato a vereador pelo PSB em outubro, o secretário municipal de Esportes e Lazer, Antonio Carlos Barbosa, ligado ao PHS, o secretário municipal das Administrações Regionais, Nelson Fio, militante do PDT, e o secretário municipal de Finanças, Edmundo Albuquerque, coordenador da campanha de Tuga.

A exemplo do PT, o presidente municipal do PSB, Pedro Romualdo, afirma que a legenda também não foi convidado a integrar as discussões do novo governo. Ele nega que Vinagre tenha sido indicado pelo partido.

Outros quatro cargos do primeiro escalão foram preenchidos com representantes do meio político. A chefia de Gabinete ficou com Paulo Sérgio Canalli, candidato a vereador pelo PDT nas últimas eleições. O também pedetista José Clemente Rezende foi escolhido para ocupar a presidência do Departamento de Água e Esgoto.

Já o PMDB indicou os presidentes da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Renato Purini, e da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), Edison Bastos Gasparini Júnior.

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