Uma criança de 1 ano e 10 meses acabou se transformando na primeira vítima fatal da leishmaniose visceral de 2005. Ela morava do Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16), na região Oeste da cidade, que é considerada uma das mais críticas em termos de infestação. Internada no Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo desde a última segunda-feira, a criança morreu no final da tarde de anteontem.
Tão logo o primeiro exame apresentou resultado positivo, ainda na segunda-feira, o material foi encaminhado ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, para nova análise e confirmação da doença. O resultado positivo saiu ontem e foi comunicado à Secretaria Municipal da Saúde pelo HE.
Com a confirmação, Bauru contabiliza, desde 2003, cinco mortes e 42 casos positivos da doença. Apenas no ano passado, foram 26 casos, com três óbitos. As notificações mais recentes mostram que a região Oeste da cidade é realmente a mais problemática com relação à contaminação - as três últimas foram registradas no Parque Jaraguá, bairro localizado relativamente próximo do Bauru 16.
Logo após a internação da criança com suspeita da doença, na segunda-feira, equipes do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria de Saúde, retornaram ao bairro para realizar o procedimento padrão indicado para estas situações, com buscas de casos suspeitos, em cães e humanos, num raio de 200 metros a partir da residência da vítima.
A condição de “região crítica” foi um dos motivos que levaram o Bauru 16 - bairro que já havia registrado outro caso fatal da doença, em maio do ano passado - a ser definido pela Secretaria das Administrações Regionais (Sear) como o local de lançamento de uma campanha que visa “colocar o bairro em ordem”.
Limpeza
Além da pintura de guias e sarjetas, plantação de mudas de árvores e operação tapa-buracos, a campanha Educação Comunitária das Administrações Regionais (Ecoar) também se preocupa com a limpeza de terrenos baldios. Nestes locais, o lixo acumulado pode se transformar um criadouro favorável à proliferação do mosquito palha, transmissor da doença.
“Um dos norteadores (para definição da agenda do programa) pode ser a incidência da doença”, admite Roxanne Rodriguero, diretora do Departamento Social da Sear e coordenador do projeto Ecoar. Ela ressalta que o nível de organização da comunidade também influencia nesta definição.
Rodriguero diz que a Sear planeja novas ações no Bauru 16 visando a manutenção dos terrenos sem sujeira, como a construção de uma pista de cooper num local atualmente abandonado. “Com isso, a preservação dos terrenos sem sujeira será facilitada”, diz.
A relações públicas da Associação de Moradores do Bauru 16, Maria Cristina da Silva, lembra que, justamente em função das notificações de casos de leishmaniose no bairro, os moradores promoveram no segundo semestre do ano passado um mutirão de limpeza de terrenos. “Com isso (morte da criança), vamos retomar a campanha para limpeza de terrenos”, diz Silva, anunciando que pretende agregar o combate ao caramujo africano às ações.
O titular da Sear, Nélson Fio, diz que as ações do Ecoar deixaram “98%” do Bauru 16 em boas condições de limpeza, mas admite a possibilidade de promover novas ações no local, como um minimutirão”, visando a limpeza de terrenos. “Apesar de limparmos 98% do bairro, a proposta é continuarmos fazendo palestras para que as pessoas não joguem lixo nos terrenos”, diz Fio.