O presidente regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Coube, acredita que Bauru e região poderão se transformar, futuramente, num grande pólo distribuidor de produtos. Segundo Coube, as áreas de influência devem abranger as regiões centro oeste do Estado, sul de Minas Gerais, sul do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso e norte do Paraná.
A movimentação de cargas será facilitada pelo aparato logístico, formado por rodovias, ferrovias, hidrovia e aerovias. “Vamos trabalhar em parceria com a Prefeitura de Bauru e cidades vizinhas para que a região possa se transformar na porta de entrada de uma vasta área de influência”, explica.
O diretor do Ciesp entende, porém, que para isso ocorrer será necessário que as empresas vejam Bauru e região como pólo de distribuição de seus produtos. “Já estamos iniciando esse trabalho para viabilizar esse projeto. Afinal, temos todas as condições favoráveis para sermos um grande centro de logística”, conclui.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Wallace Garroux Sampaio, concorda com Coube. “Tenho plena convicção de que vamos nos transformar num pólo logístico. Esse é um desafio que temos pela frente”, avalia.
Ele vê no novo aeroporto de Bauru, cuja inauguração está prevista para o ano que vem, o start para a transformação. “Basta ver Campinas antes e depois da inauguração do aeroporto de Viracopos”, exemplifica.
O secretário, porém, afirma que esse “projeto de envergadura” deve, necessariamente, envolver toda a região, cujo raio de abrangência ainda será definido após estudos.
O professor José Alcides Gobbo Jr., do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, vê o cenário sem ufanismo. “O governo federal voltou a olhar com atenção as ferrovias, as rodovias, hidrovias e aerovias para tentar diminuir o custo logístico do Brasil, que é um País emergente. E o custo logístico aqui é caro”, analisa.
Ele diz que o governo vai trabalhar para reduzir esse custo. “Afinal, o transporte é parte do custo de um produto.” Gobbo lembra que passa por Bauru a ferrovia que liga o porto de Santos ao de Antofogasta. O professor observa que o custo de um navio no porto de Santos ainda é caro. “Se o Brasil tivesse como opção o porto de Antofogasta para exportar para a China, os navios, que hoje cruzam o Canal do Panamá, economizariam 7 mil quilômetros de distância, reduzindo custos. Mas isso ainda está em estudos iniciais”, pondera.