Regional

Mulher comanda prisão de segurança máxima

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A assistente social Edenir Isabel Nogueira tem uma rotina diferente da maioria das profissionais de sua área - assistência social - e das executivas brasileiras. Embora administre uma ‘empresa’, ela não ocupa um escritório comum, mas uma sala dentro de uma penitenciária de segurança máxima, em Reginópolis.

O presídio acolhe mais de 800 presos de todo o Estado. Homens que praticaram roubos e que foram condenados há menos de dez anos de reclusão.

Pulso forte e séria o bastante para manter o respeito, ela diz que se sensibiliza com o problema dos presos. “Eu trato cada um como se fosse da minha família. Respeito suas limitações e procuro ajudar, mas não admito que eles infrinjam as regras básicas.”

Para ela, o segredo da administração feminina está baseado na sensibilidade da mulher. “Nós somos mais sensíveis e detalhistas. Eu procuro agilizar os processos para que o sentenciado não fique aqui além daquilo que ele precisa ou que a lei determina. Aqui são montados benefícios, temos advogados e toda a estrutura para a assistência psicológica e social.”

A administração dela é marcada pelos encontros constantes com os condenados. “Eu atendo presos quase todos os dias. Eu percebo quando eles precisam da presença da família. Nesses casos, eu entro em contato com os familiares e tento resolver o problema do sentenciado.”

Ela ressalta que da mesma forma que faz algo mais pelos presos exige a recíproca. “Exijo que eles mantenham a disciplina para que eu possa administrar. Não posso dar tudo o que eles querem e não exigir nada.”

Outra marca da presença da mulher no presídio são os detalhes com pequenas coisas, mas que fazem a diferença. “Estou há 27 anos no sistema prisional. Entrei na PI de Pirajuí. Fui diretora de área e de reabilitação. Há três anos assumi a penitenciária de Serra Azul, região de Ribeirão Preto. Em outubro do ano passado, vim para cá.”

Em 2003, a penitenciária de Serra Azul foi a que menos deu despesa no sistema prisional do Estado. O segredo é que a então diretora conseguiu conscientizar sua equipe que era preciso economizar. “Minha equipe usava sem esbanjar. Fizemos economia de energia, papel, telefone e gastos gerais.”

Em Reginópolis desde a inauguração da P1, no final do ano passado, ela tenta conquistar a mesma proeza. “Tenho uma forma de administrar sem esbanjar. Sou detalhista e gosto que a minha equipe trabalhe neste ritmo. Quando eu desço para atender os presos na parte inferior do prédio, deixo minha sala com as luzes apagadas.”

Na cozinha, a diretora também gosta de orientar com o intuito de economizar. “Ao invés de servir carne pura, eu sirvo carne com batatas. No caso do ovo frito, mando fazer um omelete.”

Na opinião de Edenir Nogueira, administrar um presídio masculino é mais simples do que comandar um, feminino. “É muito mais tranqüilo. Eles me respeitam. Eu nunca trabalhei com as presas, mas elas têm outros tipos de problemas. Com os homens a coisa é ou não é. Com elas, as situações são mais complicadas.”

A diretora acredita que os presos a respeitem por enxergarem nela a figura da mãe. “Eles respeitam as mulheres e eu represento essa figura de mãe e esposa. Eles percebem que a gente é um pouco mais sensível com os problemas deles.”

A diretora já enfrentou uma rebelião, em 98, na penitenciária de Pirajuí. Ela ressalta que na época não era diretora. “ A revolta foi promovida pelo PCC. Eles destruíram quase tudo, mas a diretoria enfrentou a situação.”

Na carreira, ela nunca foi refém, nem passou por experiências ruins, envolvendo seu trabalho. “Minha família já se acostumou com a minha profissão. ”

Presença

O detento Wilson Matos de Souza, que veio de São Paulo convive pela primeira vez com uma diretora de presídio. “Eu nunca tinha visto uma mulher no comando. Os homens são mais duros, as mulheres se comovem com os problemas da gente. Tratam o preso como gente.”

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