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Edifícios são alvo de coleta seletiva

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Os condomínios tornaram-se o mais novo alvo de projetos de coleta seletiva. A proposta, que já bateu à porta dos 384 apartamentos situados no condomínio Vila Inglesa, pode ser implementada em outros 49 prédios geridos por uma administradora de condomínios.

“Começamos pelo maior condomínio, pelo mais difícil. Vamos avaliar todas as dificuldades e avançar em outros”, afirma Milton Antonio de Barros diretor e sócio-proprietário da empresa.

A idéia, levada adiante com a parceria do Instituto Ambiental Vidágua, também prevê ações de conscientização ambiental. Hoje, por exemplo, serão exibidos no salão de eventos do Vila Inglesa, os vídeos “Ilhas das Flores” e “Nossa Casa: Uma viagem ambiental pela cidade”. O primeiro retrata a trajetória do consumismo desenfreado e o segundo, a questão do lixo e a importância da reciclagem, informa o instituto.

“As próximas ações serão voltadas para as crianças. Serão cinco meses de atividades para chamar a atenção dos moradores. A administradora nos procurou para fazer o projeto. Já havia predisposição por parte dos moradores e funcionários”, explica a coordenadora de apoio institucional do Vidágua, Ivy Wiens.

Jairo Cazaça, síndico do Vila Inglesa, confirma a informação. “Sempre tive interesse em fazer a coleta. Já tínhamos o hábito de separar os materiais recicláveis superficialmente. Assumi em agosto e fui atrás. Comprei os tambores e conversei com a Habitar. Vendemos o material e já recolhemos R$ 300,00”, diz Cazaça. Estima-se que em 15 dias, o condomínio produza meia tonelada de lixo reciclável para ser comercializado.

“O valor (obtido com a venda) é muito pequeno para aliviar (os gastos do condomínio), mas dá para pagar uma despesa ou premiar os funcionários, por exemplo. Estamos muito preocupados com a questão ambiental”, reitera Barros.

De acordo com ele, os coletores (latões verdes adesivados) foram instalados nos 24 blocos do Vila Inglesa. “Colocamos um tambor em cada entrada. O funcionário vai lá e recolhe diariamente. Também distribuímos panfletos educativos. Devagar os moradores vão se acostumando”, diz o síndico.

Hábito é o que não falta para o casal José e Maria José Ferraz, morador do condomínio. Há anos a coleta seletiva foi incorporada ao dia-a-dia deles. A preocupação com o meio ambiente rendeu um adepto: o neto Luciano. “O lixo orgânico utilizamos como adubo. Até saco de supermercado reciclamos. Eu levo meu próprio saco ao mercado”, conta José.

Unesp amplia projeto na área

Além do Vila Inglesa, outros condomínios implementaram projetos de coleta seletiva. Tanto um prédio residencial situado no Centro de Bauru, quanto o Sabiás 1 e 5, testaram uma lixeira de separação de lixo elaborada na Universidade Estadual Paulista (Unesp), durante o curso de pós-graduação de engenharia de produção.

Conforme o JC veiculou, cada apartamento recebeu em março do ano passado um recipiente de aço projetado especialmente para fins de reciclagem. “Está funcionando bem. O Sabiás (localizado na Vila Dutra) está gerando receita para o condomínio. O outro prédio direciona o material para o centro de triagem (de material reciclável)”, diz Jair Manfrinato, professor do departamento de engenharia de produção da Faculdade de Engenharia da Unesp.

De acordo com ele, no próximo mês um novo projeto deve ser implantado em outros dez prédios de padrões variados. “Vamos estudar a quantidade de lixo reciclável gerado por diferentes classes sociais”, informa. Quando concluído, o estudo poderá ser aproveitado pela administração municipal.

Atualmente, o programa implementado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) atende 68% de Bauru. No entanto, a meta é chegar a 100%. “A coleta é importantíssima. Acho que todo mundo deve participar”, convoca o titular da Semma, Carlos Barbieri. “Ela garante emprego e renda para quem compra o material. Além disso, as pessoas precisam saber que o aterro sanitário de Bauru está em vias de esgotamento. São depositadas 250 toneladas de lixo por dia”, acrescenta a coordenadora de apoio institucional do Instituto Ambiental Vidágua, Ivy Wiens.

O órgão se oferece para implementar o programa em outros condomínios ou instituições interessadas. O telefone de contato é o (14) 3281-2633.

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