Cerca de 50 familiares e amigos de Jonatan Bueno Garcia, 17 anos, morto anteontem na Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Bauru estão reivindicando a transferência de dois primos do adolescente que estão reclusos na instituição. Porém a mudança de unidade está descartada, segundo a assessoria de imprensa da Febem. O grupo realizou protesto na manhã de ontem em frente à unidade pedindo também esclarecimentos sobre a morte do adolescente.
Após a briga que culminou em morte, os dois adolescentes foram retirados da ala em que estavam e passaram para outro pavilhão, explica o diretor da Febem, coronel aposentado Cid Monteiro de Barros. “Eles estão bem e em nenhum momento receberam ameaça. Temos certeza de que não vai haver nenhuma retaliação”, diz.
Durante o protesto, Barros recebeu a mãe de Jonatan, Sônia Bueno, e sua tia, Solange Bueno. Elas conversaram com os dois internos e insistem que eles devem ser transferidos da unidade local para outra instituição. “Quero tirar meu filho e meu sobrinho daqui. Meu filho viu o primo ser morto e está com medo”, destaca Solange. “O Jonatan morreu e os outros podem estar sendo ameaçados de morte, o Jonatan morreu ontem (anteontem)”, apela a prima do adolescente, Franciele Bueno.
Temendo pela vida de seus sobrinhos, a mãe de Jonatan cobra a transferência dos menores. “Mataram meu filho dormindo e ele não teve tempo de reagir. Não existe segurança na unidade. Os adolescentes entram para serem corrigidos e educados, mas eles correm perigo”, diz, revoltada.
A assessoria de imprensa da Febem afirma que os primos de Jonatan não serão transferidos da unidade de Bauru, uma vez que a segurança dos menores está garantida. Segundo o órgão, o pedido de mudança de unidades também não foi aceito no Complexo de Tatuapé, que registrou rebelião com fuga de 29 internos anteontem.
Direitos Humanos
Buscando esclarecer a morte do adolescente Jonatan Bueno Garcia, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), encaminhou ontem um ofício ao diretor da Febem, Cid Monteiro de Barros.
Além disso, a comissão indicará um advogado criminalista para acompanhar as investigações. “Queremos analisar o caso de perto até sair a sentença. A sociedade precisa saber o que houve e como funciona a Febem”, explica Gilberto Truijo, advogado e coordenador da CDH.