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Abandonadas, três estações ferroviárias são tombadas

Da Redação
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Vazamentos, paredes desgastadas, mato alto e sujeira tomam os espaços antes ocupados por pessoas, trens e que fomentava a economia local. Em estado de abandono, três estações ferroviárias da antiga Noroeste em Bauru - Val de Palmas, Curuçá e Tibiriçá - simbolizam a situação precária das ferrovias brasileiras. De positivo, por enquanto, elas têm apenas o título de patrimônio tombado, concedido na última semana pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac). Título, porém, que pode representar o início de mudanças nestes locais.

Agora protegidas por lei, estas estações e as já tombadas (estação central e as antigas Paulista e Sorocabana), não podem ser demolidas ou sofrer alterações nas fachadas. Exigências, porém, que não garantem a restauração dos prédios. “A única preservação (com o tombamento) é o de não destruir (o prédio). É limitado, mas já é alguma coisa”, explica o membro do Codepac, Nilson Ghirardello, que acrescenta que o conselho, em parceria com a prefeitura, estuda a possibilidade de isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) destes prédios. A medida poderia estimular as obras de recuperação.

A restauração ficaria por conta do proprietário - no caso das três estações, a Rede Ferroviária Federal (RFFSA). “Iremos buscar apoio tanto do poder público quanto privado para manter as estações. Esta semana iremos conversar com a prefeitura e com a RFFSA (na sede, no Rio de Janeiro) para ver o que podem ceder”, afirma o assistente de liquidação da RFFSA, Darci Bueno.

Se a intenção se concretizar, as obras de restauração deverão preservar características externas dos prédios, como telhados, janelas, portas e plataformas de embarque e serão orientadas pelo Codepac.

Bueno afirma ainda que a intenção da Rede Ferroviária, empresa em liquidação desde 1999, é passar todas as estações ferroviárias fora de operação para as administrações municipais. Segundo ele, no trecho entre Bauru e Corumbá (MS), existem 109 estações. Destas, apenas a de Araçatuba, de Campo Grande e de Três Lagoas pertencem à iniciativa privada.

Sem prazos

Previsão para a revitalização não há no momento. O que o assistente de liquidação da RFFSA adianta são as prioridades. Inicialmente, as estações de Val de Palmas e Tibiriçá seriam atendidas. Esta última teve a situação agravada no último dia 7 de dezembro, quando 18 dos 40 metros do telhado da estação desabaram. O acidente aconteceu quando o processo de tombamento das três estações já estava em andamento.

“A (estação) de Tibiriçá é a mais problemática. Teremos que praticamente refazer a estação. Acredito que sejam necessários pelo menos R$ 70 mil para recuperá-la. Não vai ficar barato, mas temos intenção de arrumar todas elas”, afirma Darci Bueno.

Para quem viu a estação nos anos áureos da Noroeste, a notícia do tombamento traz esperanças de melhoras. Ferroviário por 30 anos, Alberto Soares sente ao ver a realidade da ferrovia e das estações. “Se não arrumarem, pelo menos vão manter os prédios. É um jeito de ficar para as crianças que estão nascendo agora.”

A dona de casa Juliana Aparcida Zorzi de Souza, que mora em frente à estação de Tibiriçá, acha que seria preciso mais do que preservar. “É um patrimônio histórico da cidade e a cidade não tem opção de lazer. Podiam fazer algo para as crianças”, sugere.

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Revitalização poderia movimentar turismo, diz Secretaria de Cultura

Com o tombamento das estações de Val de Palmas, de Tibiriçá e de Curuçá, a cidade de Bauru está com todas as suas ferrovias tombadas. “Elas (as três estações) são importantes pelos locais onde estão inseridas. Elas têm relevância histórica e por isso foram tombadas”, explica o membro do Codepac, Nilson Ghirardello.

Além delas, outros objetos ligados à ferrovia poderão ser tombados. Cinco carros (passageiro, dormitório e restaurante) das décadas de 30 e 40 e quatro locomotivas (entre elas uma Maria-Fumaça de 1919) estão em processo de tombamento que podem ser aprovados já no mês de março.

Para o diretor de Museus e Memória da Secretaria Municipal de Cultura, Roberto Chinalha, esses patrimônios agregam não apenas valores históricos, mas turísticos, já que poderiam, por exemplo, fazer parte do passeio de Maria-Fumaça, que integra o projeto municipal Ferrovia para Todos. “Os moradores próximos às estações poderiam trabalhar para atrair as pessoas com venda de comida caseira ou de artesanatos. Mas isso só após a revitalização das estações”, afirma Chinalha.

Segundo Nilson Ghirardello, há intenção de tombar outros patrimônios ligados à ferrovia, mas, como não estão em processo, prefere não divulgar para evitar que os prédios sofram alterações antes do processo.

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