Economia & Negócios

Brasil terá 100 milhões de usuários

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

As previsões sobre prazo são diferentes para a Claro, Vivo, TIM e Telemig Celular. Mas em uma coisa todas concordam: em breve, o Brasil terá 100 milhões de pessoas utilizando telefone celular. Atualmente, este número está em torno de 66 milhões. O assunto foi discutido durante o painel “Celular no Brasil: entre os ‘Top 5’ mercados mundiais”, realizado no segundo dia da Telexpo 2005 - feira de telecomunicações e tecnologia da informação.

Participaram do painel Erik Fernandes (Telemig Celular), André Mastrobuono (Vivo), Maurício Roorda (TIM) e Michel Piestun (Claro). Para Roorda, presidente da TIM São Paulo, a marca de 100 milhões de clientes - 60% da população brasileira - pode ser alcançada num prazo de três a quatro anos.

“O futuro é otimista, porque as expectativas do setor de telefonia móvel estão sempre sendo superadas. É um serviço de muita atratividade e que chegou para ficar. No ano passado, o crescimento do setor foi muito grande e muitas pessoas estão optando pela telefonia celular, às vezes sem nem mesmo ter um telefone fixo, pelas facilidades que o sistema oferece”, analisa.

Já para Erik Fernandes, da Telemig, esse prazo pode ser superior a cinco anos. “Temos uma área rural muito grande no País, e ela ainda é pouco explorada pelo mercado.”

Mastrobuono, da Vivo, surpreende com a resposta. “Acho que a marca de 100 milhões pode ser ultrapassada. O grande motor da penetração do celular não é a vontade das pessoas terem um aparelho, e sim o apetite das operadoras para ampliar suas bases. Agora, se as empresas vão ganhar dinheiro com isso, é outra discussão”, observa.

Pelo crescimento registrado nos últimos 18 meses em relação à quantidade de clientes, a marca de 100 milhões de usuários poderia ser alcançada em dois anos. No entanto, a tendência a partir de agora é de uma desaceleração no ritmo de novas habilitações.

“No total, cerca de 85% da indústria (clientes da área) já está capturado pelas operadoras. Para capturar o resto, são necessárias estratégias. Isso é normal. Em casos assim, o próprio crescimento força uma desaceleração do ritmo. Mas o custo de servir (o cliente) terá que mudar para que todas as empresas do ramo tenham rentabilidade, pois já existem clientes não rentáveis na base do mercado”, avalia Mastrobuono.

Para crescer

Entre as ações apontadas pelos executivos para o crescimento da curva de usuários está misturar mais entretenimento e comunicação nos aparelhos celulares. As receitas de voz das operadoras cresceram de forma significativa no último ano. Também está no alvo a possibilidade de os clientes corporativos pagarem menos por minuto de conversação e inovar nas modalidades de celular para o público de menor poder aquisitivo.

Durante o painel, muito se falou também sobre a telefonia celular pré-paga. Para o presidente da TIM São Paulo, os usuários deste sistema são rentáveis e continuam sendo importantes para as estratégias das operadoras. Segundo Maurício Roorda, o Estado de São Paulo, principalmente o Interior, é fundamental para as estratégias da empresa.

“Esses clientes são rentáveis, sim. Eles não geram conta, não há inadimplência no segmento e o custo de atendimento (para as operadoras) é baixo porque o sistema é simples. O que muda é o volume de subsídio que a operadora consegue dar para trazer esse cliente mais cedo ou mais tarde. Acho que a grande questão não é se vai chegar nos 100 milhões (de usuários); a questão principal é quando esse volume será atingido”, aponta.

Atualmente, a TIM está empatada com a Claro no segundo lugar no que diz respeito à participação de mercado. Única operadora móvel presente em todos os Estados brasileiros, a TIM - empresa do Grupo Telecom Italia - conta com 13,6 milhões de clientes em todo País.

A Claro, que assim como a sua concorrente já utiliza a tecnologia GSM em seus celulares, possui atualmente 13,7 milhões de clientes em 20 Estados mais o Distrito Federal. Na liderança está a Vivo, com mais de 26,5 milhões de usuários no Brasil. Controlada pelos grupos Portugal Telecom e Telefónica Móviles, é a décima maior empresa do ramo no ranking mundial.

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