Política

Ferrovia seria beneficiada com reativação

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

Na avaliação do vereador José Carlos Batata (PT), a retomada do centro coletor de álcool de Bauru também resultará, a médio prazo, na recuperação do trecho da ferrovia que liga a cidade a Corumbá (MS). “A China tem o protocolo de intenções com o Brasil e quer levar os produtos para o continente asiático da forma mais barata possível. A melhor maneira para que isso ocorra é o transporte por via férrea”, argumenta.

Segundo Batata, a rota de escoamento do álcool negociado com os chineses passaria por Corumbá (MS), La Paz, na Bolívia, e um porto no norte do Chile, onde o produto seria embarcado em navios que o levariam até a Ásia. (veja quadro nessa página)

O governo federal prepara um pacote de investimentos para a recuperação de ferrovias, que inclui a participação acionária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na holding Brasil Ferrovias, formada por Novoeste, Ferroban e Ferronorte.

O vereador petista afirma que parte do dinheiro que será investido pelo BNDES virá justamente dos chineses. “O protocolo de intenções prevê o financiamento da recuperação das ferrovias”, comenta.

Ele avalia que parte dos recursos poderá ser utilizado na reforma do trecho entre Bauru e Corumbá. “Para fazer o transporte de trem até o Chile, há a necessidade de se fazer a recuperação dos trilhos da antiga Noroeste do Brasil, porque é a única ferrovia que faz a ligação com La Paz, na Bolívia”, declara.

O coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Roque Ferreira, acredita que a utilização da ferrovia para o escoamento do álcool não será imediata. “Tudo o que visa agregar valor ao município é válido, mas para se fazer transporte de combustíveis nesse volume seria preciso um investimento maciço e, nesse momento, o governo não tem recursos disponíveis”, destaca.

Ele lembra que não basta recuperar os trilhos. â€œÉ preciso contar com vagões, locomotivas, departamentos de manutenção bem aparelhados e mão-de-obra para atender as necessidades, tudo o que nós não temos hoje”, critica.

Batata reconhece que ainda levará algum tempo para que a rota Bauru-Corumbá possa ser utilizada para o transporte de álcool, mas faz uma ressalva. “Até lá, Bauru armazenaria o álcool e ele sairia de caminhão daqui para o porto de Santos, que ainda abriga os navios que estão saindo em direção ao continente asiático”, diz.

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